Novos hábitos de consumo de drogas na quarentena são mostrados em pesquisa conduzida por consórcio entre a Fiocruz, Unicamp e UFMG

 Novos hábitos de consumo de drogas na quarentena são mostrados em pesquisa conduzida por consórcio entre a Fiocruz, Unicamp e UFMG

Curitiba, Paraná 17/6/2021 – De acordo com o ConVid, o consumo de certas drogas aumentou durante a pandemia, por uma série de motivos.

O momento de pandemia vivido atualmente está ocasionando uma série de alterações no comportamento das pessoas. Entre essas mudanças, está o padrão do consumo de drogas.

Todas as pessoas foram de alguma forma afetadas com essa questão de saúde pública global que se vive hoje em dia. Além de modificar hábitos alimentares, trabalho e relações interpessoais, a pandemia também está afetando o uso de drogas pela população brasileira.


É isso que mostram os dados de uma pesquisa realizada em um consórcio entre a Fiocruz, instituição que está realizando a produção da vacina AstraZeneca no Brasil e as universidades públicas de prestígio: UFMG e Unicamp. Tal união desenvolveu um estudo denominado ConVid, que mapeou uma série de dados acerca dos comportamentos da população brasileira neste contexto de pandemia.

De acordo com o ConVid, 18,4% das pessoas entrevistadas relataram que aumentou o consumo de bebida alcoólica durante a pandemia, principalmente por conta do estresse e ansiedade vivenciada neste momento de incertezas. Além disso, o percentual de aumento foi ainda mais expressivo na população de 30 a 39 anos que, em 27,4% dos entrevistados, confessou ter aumentado a dose de álcool nos últimos meses. Outra informação relevante nesse sentido é que entre a população com nível de escolaridade superior, 26,7% começaram, durante a pandemia, a ingerir quantidades maiores de álcool.

As alterações constatadas não se restringem ao álcool, mas também abarcam o uso do tabaco. Segundo as informações do ConVid, 28% dos fumantes relataram um aumento no número de cigarros por dia. No Brasil, 15,7% da população brasileira é tabagista, de acordo com o consórcio ConVid.

Os motivos relacionados às mudanças do padrão do consumo de drogas

Diante de um contexto em que 14,8 milhões de pessoas enfrentam o desemprego (de acordo com informações do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é natural que as preocupações, sentimentos de tristeza e ansiedade aumentem.

As drogas muitas vezes acabam sendo um refúgio para aliviar as tensões corriqueiras. Essa correlação ficou constatada na pesquisa ConVid em que o crescimento de consumo de álcool foi duas vezes maior em quem confessou ter sentimentos de tristeza e mais de três vezes superior nos casos de pessoas que sofrem de ansiedade devido às circunstâncias da pandemia.

Malefícios do consumo exacerbado de álcool durante a pandemia

Embora possam gerar um alívio imediato nas tensões do dia a dia, as drogas, segundo os profissionais da saúde da Clínica Psiquiátrica Cleuza Canan, que é especialista em tratar dependentes químicos, podem, inclusive, suscitar doenças fatais.

Por exemplo, quando se bebe álcool, ele entra rapidamente na corrente sanguínea após ser absorvido pelo estômago e intestino delgado. O álcool é principalmente metabolizado no fígado. Em geral, normalmente leva cerca de uma hora para que o corpo retire uma unidade de álcool. Mas esse tempo varia entre pessoas, dependendo de fatores como tamanho, quanta comida comeu e como o fígado funciona bem. O sexo feminino leva mais tempo para processar e remover o álcool do que o masculino.

Muitas partes do corpo podem ser afetadas pelo álcool, mas os efeitos a curto prazo são causados principalmente pela forma como o álcool afeta o cérebro. Quanto mais álcool se bebe, mais fortes serão os efeitos a curto prazo da substância. Estes incluem:

Fala desarticulada;
Instabilidade e falta de coordenação;
Queda da imunidade;
Capacidade reduzida de reagir rapidamente a situações – por exemplo, ao dirigir;
Sonolência.

Além disso, o álcool pode afetar o julgamento e autocontrole e fazer com que se aja de forma diferente da que normalmente se agiria. Assim, pode-se não tomar as melhores decisões e corre-se riscos que normalmente não se correriam, tais como ter relações sexuais sem proteção ou entrar em brigas. De acordo com os especialistas da Clínica Cleuza Canan, os efeitos a curto prazo do álcool também podem aumentar o risco de ferimentos, acidentes, afogamento e automutilação.

O álcool e a saúde mental

Os especialistas Clínica Cleuza Canan endossam que beber muito durante um longo tempo pode afetar a saúde mental. Problemas de saúde mental como estresse, ansiedade ou depressão, aumentam o risco de recorrer ao álcool para aliviar os sintomas. Mas o álcool também altera a química do cérebro e pode aumentar o risco de ter ansiedade e depressão, além de deflagrar ideações suicidas. Quem tem depressão e ansiedade acaba muitas vezes buscando refúgio da bebida ou em outras drogas, pois de alguma forma aquilo traz um alívio momentâneo para o sofrimento, mas, no médio prazo causa danos potencialmente fatais, alertam os especialistas.

Com o tempo de uso da droga pode-se tornar dependente do álcool. Ou seja, torna-se cada vez mais difícil permanecer sem consumir a substância e é necessário uma dose gradualmente maior para resultar no mesmo efeito.

O que fazer em caso de uso abusivo de drogas?

Alguns hábitos saudáveis podem ser feitos a fim de ajudar a relaxar neste momento de pandemia e evitar o consumo abusivo de substâncias químicas que podem gerar dependência. Por exemplo, os exercícios físicos são considerados formas naturais de combater a ansiedade, além de oferecer ganhos ao sistema cardiovascular, prevenindo doenças.

A dependência química é, na verdade, uma doença que necessita de tratamento. Em alguns casos é preciso, para a plena reabilitação, internar o dependente químico a fim de que ele receba uma atenção mais intensiva e consiga retomar sua vida de forma satisfatória.

O site da clínica Cleuza Canan é: https://clinicacleuzacanan.com.br/

Website: https://clinicacleuzacanan.com.br/

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