Brasil tem população mais ansiosa do mundo e Covid-19 contribui para esse índice

 Brasil tem população mais ansiosa do mundo e Covid-19 contribui para esse índice

Ribeirão Preto, SP 17/6/2021 –

A ansiedade é o transtorno psicológico que mais afeta brasileiros e a pandemia de Covid-19 tem contribuído enormemente para o agravamento de quadros relacionados.

Um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que o Brasil é o primeiro no ranking de pessoas mais ansiosas do mundo. Essa marca histórica pode ser compreendida por alguns fatores, como as demandas externas que o mundo coloca, a vulnerabilidade social existente no país, com alta taxa de desemprego e baixo acesso à escolaridade, e a própria pandemia de Covid-19.


Todas essas condições afetaram a saúde mental dos brasileiros. Dados obtidos do estudo da OMS demonstram que, hoje, quase 19 milhões de pessoas no país enfrentam sintomas e os efeitos da ansiedade. Esse número identifica cerca de 9% da população brasileira em condição de ansiedade crônica ou pontual.

Até certo ponto, a ansiedade é uma reação natural do corpo diante de situações cotidianas, que, histórica e biologicamente, serve para manter o indivíduo alerta e reativo, funcionando como um mecanismo de antecipação a possíveis problemas.

Porém, se esse sentimento se torna recorrente e excessivo, é preciso ligar o alerta. A ansiedade em demasia pode ser um indício de uma condição de distúrbio de saúde mental. Conforme indica a pesquisa realizada pela OMS e divulgada em 2020, durante o ápice da primeira onda da pandemia de Covid-19 no Brasil, cerca de 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade.

Nesse ponto, a emoção em exagero pode afetar a rotina, com o sentimento de medo tomando conta dos pensamentos e impedindo a realização de tarefas básicas no trabalho e em casa. Inclusive, essa condição pode afetar o sono e a alimentação, conforme divulgado na publicação da Organização Mundial da Saúde “Saúde Mental: Nova Concepção, Nova Esperança”, que traz diretrizes sobre o controle e tratamento de distúrbios de saúde mental.

A ansiedade dos brasileiros chama a atenção

Situações como a pandemia de Covid-19 agravam o sentimento ansioso, como identificado na pesquisa “Covid-19 Saúde mental: usando a tecnologia digital para avaliação das consequências da pandemia”, realizada pela UFRGS em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

O estudo, feito por pesquisa online, teve a participação de 1.996 indivíduos, que responderam um questionário que avaliou a presença, constância e gravidade de 13 tipos de transtornos psiquiátricos, entre eles a ansiedade. Com os resultados, foi possível identificar como o momento contribuiu para o aparecimento de situações ansiosas e identificou que 80% dos entrevistados sentem-se assim.

Desses, 68% relatam sintomas depressivos, 65% expressam sentimentos de raiva, 63% apresentam sintomas somáticos e cerca de 50% relatam alterações no sono.

Outro dado importante obtido pelo estudo é que 34% dos entrevistados apresentaram sintomas de estresse pós-traumático, que pode ser compreendido pela perda de entes queridos para a doença ou, em certos casos, sobre a própria situação como enfermo da Covid-19.

Além dos problemas psicológicos citados anteriormente, a ansiedade enquanto patologia pode afetar a saúde corporal de uma pessoa. Isso acontece pois o corpo passa a estar frequentemente em um estado de tensão.

De acordo com informações disponibilizadas pela International Stress Management Association no Brasil, divulgadas em matéria do Portal Viva Bem, a imunidade e a saúde físicas podem sofrer até 24 meses após um evento de estresse e ansiedade. Também, que esse tipo de situação pode desencadear a criação de células cancerígenas.

A vulnerabilidade do brasileiro contribui para essa marca

Ainda que o mundo todo esteja passando pela situação de pandemia, os resultados das pesquisas que relacionam a Covid-19 com a ansiedade são mais evidentes no Brasil. Isso pode ser compreendido, principalmente, pelas diferenças socioculturais do país em relação a outros.

O estudo realizado pela UFRGS relaciona esse índice tão alto com o nível educacional dos indivíduos, propondo uma relação em que o acesso à informação de qualidade e correta, proporciona mais segurança e estabilidade emocional.

Além disso, questões de vulnerabilidade social, como o desemprego e a falta de renda, também contribuem para o aumento de sensações ansiosas. De acordo com dados da Agência Brasil, são cerca de 14 milhões de desempregados, em isolamento social e sem previsão de melhora. Concomitantemente, houve um aumento de 13% na compra de fármacos relacionados à ansiedade e estabilizadores de humor, dados que também foram divulgados no portal do Conselho Federal de Farmácia.

Também é preciso considerar que, no Brasil, devido ao histórico da psiquiatria, manicômios e doenças mentais, existe um preconceito e estereótipo em relação aos atendimentos psicológicos e psiquiátricos. Muitos indivíduos em vulnerabilidade emocional, inclusive, não procuram atendimento especializado.

A publicação da OMS “Saúde Mental: Nova Concepção, Nova Esperança” traz o alerta de que pessoas que tratam episódios de estresse e situações traumáticas com profissionais da saúde tendem a minimizar e, em alguns casos, até mesmo evitar o desenvolvimento de condições de depressão e ansiedade.

Como tratar a ansiedade em tempos de Covid-19

O ser humano é social. Situações como a da pandemia, que sugerem isolamento e distanciamento, podem desencadear sintomas ansiosos, além do medo causado pela doença, que contribui para situações emocionais mais graves.

Para reduzir esses sintomas e minimizar seus efeitos no cotidiano, é indicado procurar ajuda profissional. Um psicólogo ou psiquiatra podem identificar com mais clareza esses problemas e indicar um tratamento, como uso de medicamentos e/ou psicoterapia. A tecnologia contribuiu para a realização desses atendimentos sem a necessidade do contato físico, o que permite que as sessões sejam realizadas sem risco ao paciente.

Outro ponto que pode auxiliar na redução de episódios de ansiedade é a manutenção de uma vida mais saudável. Práticas como uma boa alimentação, exercícios físicos e bom sono, ajudam na regulação interna do corpo melhorando, por exemplo, a regulação hormonal, que afeta diretamente a ansiedade.

Apesar de ainda não apresentar uma cura, a ansiedade, quando controlada e tratada, permite que os pacientes tenham uma vida tranquila e consigam conviver com o transtorno.

 

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