Campinas estimula o uso de cães-guia para facilitar mobilidade e promover inclusão social

 Campinas estimula o uso de cães-guia para facilitar mobilidade e promover inclusão social

Foto: Carlos Bassan

Observar cães guiando pessoas cegas ainda é uma cena rara no Brasil, mas poderá se tornar mais frequente em Campinas, a partir de agora. Para ampliar a mobilidade e autonomia das pessoas com deficiência visual, a Prefeitura de Campinas e o Instituto Magnus, o maior centro de formação de cão-guia da América Latina, localizado em Salto de Pirapora, região de Sorocaba (SP), anunciaram, nesta quinta-feira, dia 25 de novembro, um trabalho em conjunto no município. A iniciativa estimula a adesão ao uso do cão-guia na cidade e promove a inclusão social, segurança e qualidade de vida das pessoas com deficiência visual.

A etapa inicial contempla as inscrições para receber o cão-guia, de forma gratuita. Em um segundo momento, estão previstos cursos, treinamentos e sensibilizações, envolvendo, inclusive, motoristas de ônibus, táxi e transporte por aplicativo.

O cão-guia é um animal treinado especialmente para ajudar pessoas com deficiência visual em seu cotidiano, com tarefas que demandam mais atenção e cuidado como, por exemplo, conduzi-las em seus deslocamentos. Atualmente, existe somente um cão-guia em atividade em Campinas.


A parceria envolve a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec); e as secretarias de Transportes (Setransp) e Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos; que passam a fomentar e divulgar as ações do Instituto Magnus na cidade, como forma de atrair mais pessoas interessadas em ter um cão-guia. A Secretaria de Educação apoia o projeto.

Uma cerimônia realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental “Presidente Humberto Alencar Castelo Branco”, localizada no Jardim Nova Europa, marcou o lançamento da parceria. O evento contou com a presença do prefeito Dário Saadi, dos secretários municipais Vinicius Riverete (Transportes), José Tadeu Jorge (Educação), Vandecleya Elvira do Carmo Silva Moro (Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos); do presidente da Emdec, Ayrton Camargo e Silva; do diretor de Políticas Públicas para as Pessoas com Deficiência, Paulo Guimarães; e da diretora da escola, Mara Sílvia do Amaral Vian. Representaram o Instituto Magnus o instrutor trainee de cão-guia, Caíque Valeriano; e a assistente social e Coordenadora de Relacionamento, Pâmela Alves Menck, que apresentou o projeto ao público, ao lado de Roberta Mantovani, da área de Educação para Mobilidade da Emdec. O vereador Permínio Monteiro representou a Câmara Municipal. Também participaram o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Benedito Pazzinatti; além de representantes do Instituto Pró-Visão e do Centro Cultural Louis Braille.

“Essa parceria com o Instituto Magnus ampliará a autonomia das pessoas com deficiência visual em Campinas. Parabenizo a Emdec pela iniciativa e tenho certeza de que mudaremos a vida de muitas pessoas com deficiência visual, dando mais dignidade, promovendo a mobilidade inclusiva, a integração social e a qualidade de vida”, disse o prefeito.

“Recentemente, implantamos semáforos sonoros em dez cruzamentos da Avenida Francisco Glicério. O estímulo ao uso do cão-guia é mais uma iniciativa que amplia a mobilidade inclusiva em Campinas”, destacou o secretário de Transportes.

O presidente da Emdec lembrou que “a Emdec tem tradição de associar a inclusão à mobilidade e colocar o tema em suas políticas de educação de trânsito. Hoje é uma data histórica para a cidade, ao iniciarmos as inscrições do projeto, que ampliará a autonomia e a inclusão social das pessoas com deficiência”, disse.

Utilizando audiodescrição para iniciar sua fala, a secretária de Assistência Social enfatizou que “a política pública que queremos é aquela que garante autonomia aos cidadãos”.

Também participaram da cerimônia os usuários de cães-guia, doados pelo instituto, Carlos Eduardo Simões e seu cão-guia “Chicó”; e o pequeno Pietro D’Paula Meneghini e seu cão de assistência “Walter”; além da deficiente visual e aluna da EMEF, Sofia Helena dos Santos Silva. Para marcar o início das inscrições, o deficiente visual, Luís César Amaral, assinou a primeira ficha de cadastro no projeto, em Campinas.

“Minha deficiência se tornou muito mais leve com o apoio do cão-guia. Quando utilizamos bengala, somos rotulados como deficientes visuais. Com o cão-guia, passamos a socializar mais”, relatou Carlos Eduardo. Chicó é seu fiel companheiro há três anos e meio.

A EMEF Humberto Alencar Castelo Branco foi indicada pela Secretaria de Educação por ter as dependências acessíveis às pessoas com deficiência, além de atender 40 alunos no programa de educação inclusiva, duas crianças com baixa visão e uma cega. Para simular as dificuldades enfrentadas diariamente pelas pessoas com deficiência visual, o Instituto Magnus instalou no local um túnel sensorial com obstáculos.

Os participantes foram convidados a atravessar o “Túnel Sensorial”, de olhos vendados, vivenciando a experiência de se locomoverem privados da visão. A dinâmica desperta a consciência sobre o papel transformador que o cão-guia pode ter na vida das pessoas com deficiência visual, ao promover mais segurança e mobilidade.

“As pessoas acreditam que ter um cão-guia é inacessível, devido ao custo e trabalho envolvidos na formação do animal. Iniciativas como esta são muito importantes para que mais pessoas saibam que é possível ter um cão, que será um meio transformador em suas vidas. Nossa intenção é contribuir com a inclusão social e promover a autonomia das pessoas com deficiência visual, por meio da utilização do cão de assistência”, destacou o gerente-geral do Instituto Magnus, Thiago Pereira.

Como participar

Para ter acesso a um cão-guia, as pessoas com deficiência visual devem se inscrever no site do Instituto Magnus (www.institutomagnus.org/programas/cao-guia/como-ter-um-cao-guia) ou manifestar interesse pelo e-mail [email protected] Será necessário cadastrar dados pessoais, responder um questionário com informações sobre a sua rotina e enviar documentação comprobatória dos dados fornecidos. Confira os critérios para a participação no processo seletivo:

• Ser diagnosticado com cegueira ou deficiência visual severa (Art. 2º, inciso I, do Decreto Federal nº 5.904/2006);

• Ser residente e domiciliado na região de atendimento;

• Ser maior de 18 anos de idade;

• Ter capacidade de se locomover de maneira independente em diferentes rotas do seu cotidiano;

• Ter condições de saúde que possibilite o uso do cão-guia.

A inscrição on-line é a primeira etapa do processo seletivo. A triagem envolve ainda etapas presenciais e visitas da equipe do instituto à residência dos interessados.

Também é possível participar do processo de socialização dos animais, recebendo-os como famílias socializadoras. É preciso ter disponibilidade de tempo para ambientar o cão nos mais diversos espaços, ao longo de um ano, inclusive, conviver com outras pessoas e animais.

A família voluntária que participa da formação do cão tem direito garantido para entrar em estabelecimentos públicos e, também, nos privados de uso coletivo (Leis 11.126/2005 e Decreto 5.904/2006).

Dados

No Brasil, mais de 7 milhões de pessoas apresentam alguma deficiência visual. Em Campinas, o número de pessoas cegas ou com baixa visão, seja por consequências congênitas ou adquiridas ao longo da vida, é de mais de 25 mil pessoas, sendo mais de 5 mil completamente cegas. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os desafios relacionados à mobilidade enfrentados por essas pessoas estão barreiras de acessibilidade presentes nos espaços urbanos, calçadas com desníveis, placas no meio do caminho, rampas, travessias perigosas, carros estacionados irregularmente. São obstáculos nem sempre vencidos apenas com o uso da bengala.

Formação do cão-guia

O Instituto Magnus é uma entidade de assistência social que surgiu em 2015 para promover a inclusão social, a convivência familiar e comunitária e a cidadania às pessoas com deficiência visual e em situação de vulnerabilidade social.

O processo para que o cão esteja apto a ser guia é longo e envolve alto custo para a formação do animal. Para possibilitar que mais pessoas tenham acesso a um animal e transformem suas vidas, o Instituto Magnus treina e doa cães para serem os olhos de pessoas com deficiência visual. O instituto conta com uma estrutura completa dentro de seus 15 mil metros quadrados, com maternidade, canil, clínica veterinária, centro cirúrgico, área de soltura, lazer e treinamento, prédio administrativo e hotel para receber futuros usuários de cães-guias.

Gestora do Instituto Magnus, a Adimax Pet é uma das maiores fabricantes de alimentos para cães e gatos no Brasil. Com sede em Salto de Pirapora, possui filiais em Abreu e Lima (PE), Uberlândia (MG) e Goianápolis (GO), além de Centros de Distribuição nas regiões Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil.

Acesse todas as informações sobre o projeto e o trabalho realizado pelo Instituto Magnus no site da Emdec.

As informações são da Prefeitura de Campinas.
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