Como lidar com a solidão durante os estudos para concursos públicos?

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Da mitologia grega e da Bíblia às críticas modernas da era digital, a solidão tem sido representada como parte da condição humana. Não há dúvidas de que a Internet conectou o ser humano de várias formas, as distâncias se tornaram próximas, mas nem por isso as pessoas deixaram de se sentir sozinhas. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostra que quase metade das pessoas se sentem sozinhas (46%) ou abandonadas às vezes ou sempre.

Especificamente, nos concursos públicos, a Reportagem entrevistou o professor Felipe Duque sobre o estudante de concursos públicos e sua vulnerabilidade emocional.

Há como estudar para concursos e não se sentir sozinho?

FD: Calma, precisamos fazer uma distinção clara entre sentir-se solitário e estar socialmente isolado. Ou seja, diferenciar o sentimento de solidão e a falta de interação social. O sentimento de solidão é uma experiência inteiramente subjetiva. O ato de estudar, na maioria das vezes, permite que haja uma solidão do confinamento estudantil, afinal, por mais que você o faça em grupo, ninguém estuda por você. Veja, as pessoas tanto podem sentir-se solitárias se ficarem sozinhas como no meio de uma multidão.

Então, é necessário constatar que a “solidão” é algo extremamente íntimo, subjetivo, e é importante observarmos isso hoje, pois no âmbito da sociedade, isso tem gerado uma série de doenças perigosas e maléficas. Acho que, há vários momentos que nos sentiremos “singulares”, porque a atividade de estudar para concursos, majoritariamente, precisa ser feita por você, concentrado nessa delimitação produtiva estudantil.

E qual é o limite?

FD: Primeiro, você tem que olhar qual o perfil do estudante. Eu, por exemplo, durante grande parte da minha vida, não conseguia estudar “em casa” e gostava muito de uma “sala de estudos”/biblioteca tanto que fundei uma porque na época não era muito comum, de modo que, na maioria do tempo estava acompanhado de pessoas que visavam o mesmo objetivo. Isso me ajudava a caminhar. Calava um pouco aquela voz de que você é um “alienígena” estudando.

O problema surge quando você deixa de curtir e explorar essa “solidão”, pois um dos grandes obstáculos dos concursos é o inimigo interior. E aí reside o ponto central: aproveito, gosto, ou melhor, me pacifico nessa solidão (Montaigne e Nietzche)? Ou transformo isso numa forma completa de isolamento social (inimigo silencioso)?

Há estudos que demonstram que a partir de 3 dias sem nenhuma interação com outros humanos, nós sofremos consequências psíquicas. Somos seres “sociáveis”. Agora, você tem que perceber se essa “solidão” está gerando um exacerbado “isolamento” social. Agora calma, é irrefutável que qualquer forma de estudo comprometido e com preparação significativa impõe, para o bem ou para o mal, um certo isolamento e rotina. E com isso, muitas pessoas próximas, por mais que tolerem e respeitem, não compreendem profundamente o que nós passamos.

Então como curtir a solidão?

FD: Quando a solidão vira solitude. O homem velho só cresce quando entra o novo. E esse momento é ideal para aperfeiçoar o que precisa ser mudado “dentro” durante esse processo de estudar. É preciso conectar em si, através da oração, atividade física, pessoas que você sente carinho, ou alguma comunidade que você sinta algo especial, que haja essa troca de essência que nos sustenta.

E nisso, eu particularmente passei a perceber, que sozinho, de verdade? Nunca estive. Sempre com Deus. E estamos mais acompanhando do que nunca. Veja, faça um exercício mental. Lembre cada olhar carinhoso, veja realmente o afeto das pessoas que você pensa em compartilhar o seu alegre desabafo “passei”. Isso mesmo. Havia um ponto que eu me sentava para estudar, olhava no espelho e enxergava todos os rostos, e a partir dali já não era mais eu. Nunca foi. Olha o tanto de gente que se sacrificou, devotou e te amou para você chegar onde estar agora. Você não está sozinho. É só você pensar um pouquinho atrás. Vou te ajudar, comece pela amamentação.

Felipe Duque é Procurador da Fazenda Nacional, mestre em Direito Político e Econômico pela Mackenzie-SP, professor e é estudante jurídico desde 2009. Fomenta o canal no YouTube e no Spotify: “Concursos & Experiências Compartilhadas” e o Projeto Ombro Amigo.

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