[EDITORIAL] Eleições 2020: a grande perdedora é Campinas

 [EDITORIAL] Eleições 2020: a grande perdedora é Campinas

ATENÇÃO: esta é a opinião do ODC – Olhar da Cidade

As eleições deste ano tem um claro perdedor: o município de Campinas.

Sim, a cidade, que tem 1 milhão e 200 mil habitantes, provavelmente nunca vai se recuperar de uma escolha de prefeitos tão vazia e sem opções.


A apuração que começa agora vai dar um resultado que será ruim para a cidade. Independemente da escolha que você eleitor fez, tanto Rafa Zimbaldi (PL) quanto Dario Saadi (Republicanos) não serão prefeitos a altura de Campinas.

O segundo turno foi marcado por um lixo eleitoral gigantesco. Nunca se viu tanta disseminação de fake news, ataques, trocas de farpas, e um abismo gigantesco do que significa ser prefeito da segunda maior cidade do interior de São Paulo, que poderia ter sido capital, e que hoje é apenas uma colônia feudal de senhorios.

As promessas dos dois governos são péssimas. Não há nada de concreto. A maioria das propostas dependem de terceiros (governo estadual, governo federal, financiamentos). E até mesmo a ideia mútua de acabar com comissionados não é novo: Jonas também disse que ia fazer isso, ao final aumentou o número de comissionados, e está envolvido em questões judiciais até hoje.

Quem é quem

Rafa dizer que Dario é Jonas está certo. Dario Saadi, ex-secretário de esportes de Campinas, já foi vereador e sabe muito bem como é a máquina do poder. Homem de confiança do governo de Jonas Donizette, se tornou peça chave desde que Rafa Zimbaldi “brigou” com o governo — ele se filiou ao PSB, depois saiu e foi ao PL. Saadi tem a experiência de um homem público, é articulado, dá boas entrevistas, e tem por trás todo o governo municipal. Comissionados são vistos, frequentemente, publicando frases de apoio e fazendo campanha para o candidato. Não que isso seja errado, de jeito nenhum, mas é notório que o grupo no poder hoje tem uma grande influência nesse sentido.

Já quem dizia que Rafa é Jonas também está correto. O hoje deputado federal ganhou uma confiança enorme dos moradores dos distritos do Ouro Verde e Campo Grande, e foi o principal articulador para a criação dos distritos. Zimbaldi tem toda a experiência do pai, Salvador Zimbaldi, nas costas. Só que ele foi o líder de governo de Jonas na Câmara até um pouco antes da eleição. Mudou até de partido, indo para o PSB jonista, com a promessa de que ia ser candidato. Só que as coisas no caminho mudaram: Luiz Lauro Filho, sobrinho de Jonas, saiu do PSB e foi ao PSDB, criando um mal estar que nem sal de fruta resolvia. Sobrou em quem? Rafa. O político também é articulado, também dá boas entrevistas, e fala com alguma propriedade sobre problemas da cidade. Mas, caiu num jogo de poder que não tinha força para lutar contra, e achou que tentando apagar a imagem extremamente ligada ao governo fosse resolver alguma coisa.

Antes das movimentações começarem, no ano passado, Rafa era o candidato “ideal” para Campinas em 2020. Pelo menos era o que parecia ser. Quando mudou para o PSB, a avaliação de jornalistas e até de parte da população é que ele deu “um tiro no pé”. Mesmo sendo da base de governo, ele era crítico, e contava com extremo apoio popular para ser o próximo prefeito. Quando se aliou a Jonas, perdeu um pouco dessa credibilidade. Ao tentar se recuperar, indo ao PL, achou que tudo fosse voltar como era antes.

Já Dario apareceu como um azarão nas escolhas internas e acaba sendo uma espécie de “bode expiatório” em toda essa história. O candidato de Jonas era, e sempre foi, Wandão (Wanderley de Almeida, até então secretário de relações institucionais, braço direito [e esquerdo] de Donizette). Na prática, quem mais vai governar será ele, e não Saadi (não por competência, mas porque o bastidor age assim).

Foto: Thomas Marostegan / Metro Jornal

Fala de ônibus, ODC!

Falando sobre transporte público, e resolvendo uma questão que vocês sempre colocam, que o ODC não fala mais de ônibus, vamos ser claros: prometer que a obra do BRT será concluída é um engana trouxa. A obra vai acabar, mesmo se for um cachorro o prefeito municipal, porque ela tem que ser concluída. Simples assim. Dinheiro da Caixa está aí, contratos foram assinados com empresas, o projeto está em andamento (mesmo ele sendo muito ruim, com várias falhas que poderiam ter sido revistas). Se não concluir, a Caixa cai em cima, o governo federal cai em cima, e o mundo desaba sobre qualquer tipo de pretensão política em Campinas.

As propostas de fazer a licitação para mudar as empresas também são outras balelas. O edital que foi feito é uma porcaria – para falar o português bem claro. O sistema é sem sentido, e seria uma confusão ainda maior. Tirando uma ou outra empresa, os grupos que atuam hoje continuariam, dando o famoso jeitinho brasileiro. E as greves, paralisações surpresa, falta de combustível, qualquer outro argumento esdrúxulo vai continuar acontecendo. Quem vai ter coragem de mudar tudo? Ninguém (e nem os candidatos derrotados no primeiro turno, não se engane).

Ciclovias e ciclofaixas: existe um plano colocado em andamento por Jonas Donizette apenas para cumprir a quilometragem definida. Há sentido em inaugurar uma ciclovia numa avenida que não liga nada a lugar nenhum (sim, estamos falando da ciclovia do Aurélia)? Há sentido em inaugurar uma ciclovia na Avenida Brasília, que não liga nenhum outro ponto onde há circulação de bicicletas? Não.

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