Jovem foi acusado 14 vezes por roubo por causa de uma foto

 Jovem foi acusado 14 vezes por roubo por causa de uma foto

O motoboy Cláudio Júnior Rodrigues de Oliveira tira selfies todos os dias quando acorda, ao chegar no trabalho e quando volta para casa em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

Apesar de parecer um hábito similar ao de qualquer jovem, é uma defesa: ele já foi acusado de roubo 14 vezes, todas elas após ser identificado por foto em álbuns de suspeitos em delegacias.

A prática é alvo de críticas por reunir imagens de pessoas inocentes.


No último dia 20, ele foi absolvido pela 13ª vez, porque, ao verem Cláudio pessoalmente, as vítimas não o apontaram como o autor dos crimes.

Isso também ocorreu no único julgamento em que ele foi condenado, mas, ainda assim, a juíza o sentenciou a uma pena de prisão de 5 anos, que ele cumpriu.

“Eu convivo com isso todos os dias. Dizem que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas comigo caiu várias. Meu psicológico está muito abalado. É algo que trabalho todos os dias”, disse.

O primeiro inquérito contra Oliveira foi aberto em março de 2016 em uma delegacia de São Gonçalo, cidade onde ele mora desde que nasceu.

A partir daí, durante seis meses, foi acusado de participar de roubos na região e também em Niterói, município vizinho.

Em setembro daquele ano, ele já somava 12 inquéritos abertos.

Em maio de 2017, foi condenado por um crime ocorrido em julho de 2016.

Uma pessoa relatou que teve carro, dinheiro e celular roubados. Na delegacia, a vítima identificou por meio de fotos Cláudio e um outro rapaz como responsáveis pelo crime. Essa seria sua décima acusação, mas desta vez, não foi absolvido.

Durante a audiência, a vítima garantiu que Oliveira não estava envolvido no crime. Até então, ela não o vira pessoalmente.

Ele foi condenado a 5 anos e 4 meses de prisão, dos quais cumpriu 2 anos no regime fechado, 2 anos no semiaberto e 1 ano e alguns meses na condicional

Ainda que esteja em liberdade, Oliveira viu a vida mudar. Antes de ser preso, ele estava terminando o ensino médio e tinha os sonhos de fazer concurso público, seguir na carreira militar, ser bombeiro ou ainda ingressar na guarda municipal.

Em regime semiaberto desde 2018, Oliveira viu tudo acontecer novamente no ano passado.

Em novembro de 2020, um novo inquérito por roubo foi aberto contra ele com base em reconhecimento fotográfico.

Após a Justiça expedir o mandado de prisão no começo deste ano, ele ficou na cadeia por três meses.

Desta vez, Cláudio contou com a ajuda da advogada Ana Cláudia Abreu Lourenço, que se sensibilizou pelo caso e resolveu não cobrar para auxiliá-lo.

“Minha advogada pediu o Habeas Corpus, o juiz de plantão aceitou, mas aí juiz do caso mandou me prender novamente, ela [advogada] entrou com um novo Habeas Corpus e aí o juiz analisou melhor e me liberou”, explicou Cláudio.

O medo de ser confundido com algum criminoso novamente fez Oliveira tomar a precaução de tirar fotos três vezes ao dia.

Outras notícias