O novo perfil do aluno pós-pandemia

 O novo perfil do aluno pós-pandemia

Foto: PMC

A volta às aulas pós-pandemia trouxe diferentes desafios para todos, pais, educadores, escola e principalmente alunos, que se viram novamente diante da necessidade de se relacionar com o outro, se inserir na sociedade e seguir regras.

Os efeitos estão sendo sentidos agora, alguns meses após o retorno das aulas presenciais.

Tantos meses isolados em casa fez com que os relacionamentos se tornassem mais distantes e através de uma tela.


Para muitos essa situação provocou um abalo emocional, com aumento de ansiedade e depressão na população em geral, em especial em jovens.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a prevalência global desses sentimentos negativos aumentou 25% só no primeiro ano da pandemia.

Já em um levantamento realizado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e o Instituto Ayrton Senna, analisou os impactos da pandemia na evolução do desenvolvimento de competências socioemocionais.

Os dados mostram que características como autogestão, que inclui foco, determinação, organização, persistência e responsabilidade, e a amabilidade, que reúne empatia, respeito e confiança foram afetadas durante a pandemia, além disso, o estudo revela que 70% dos estudantes da rede estadual de São Paulo relatam sintomas de depressão e ansiedade.

A avaliação ainda demonstrou que, quanto menores os índices de saúde mental do estudante, mais ele pode ter dificuldade de aprendizagem.

Todo esse cenário refletiu diretamente nos índices de evasão escolar.

No ano passado, cerca de 4 milhões de estudantes brasileiros de seis a 34 anos abandonaram os estudos, de acordo com um levantamento do Datafolha.

Questões financeiras e falta de acesso às aulas remotas estão entre os principais motivos.

Segundo Vanessa Rodrigues, especialista em competências emocionais e situações de crise, a escola precisa estar preparada para receber esse novo perfil de aluno.

“É um ambiente totalmente novo para os educadores. O aluno que retorna hoje para a sala de aula não é mais o mesmo de dois anos atrás, ele está mudado pelos traumas emocionais provocados durante o isolamento social, como sentimentos de angústia, medo, luto e desesperança. Com certeza, uma parcela ínfima desses jovens teve suporte emocional para lidar com tudo isso, por isso essa bagagem negativa chega para o professor. A nova escola precisa estar ciente disso e contemplar até mesmo novas expectativas de aprendizagem como parte desse acolhimento”, explica a especialista.

Muitas vezes, esses sintomas emocionais não são compartilhados pelas crianças e jovens, mas Vanessa reforça que, identificar os casos precocemente é essencial para que o estudante receba acompanhamento médico.

“É possível identificar esses sintomas pelo comportamento do aluno, mas para isso o educador e a escola precisam de capacitação, conhecimento técnico e sintonia com a família. O professor precisa perceber essas necessidades individuais e ter abertura para discutir isso com a escola”, orienta.

Com o objetivo de auxiliar o professor nesse desafio, Vanessa produziu um vídeo documentário que ficará disponível gratuitamente para as escolas brasileiras.

“Esse filme traz situações reais de violência psicológica e orientações de especialistas para identificar e lidar com cada situação. O objetivo é que o documentário seja uma ferramenta a mais para trabalhar o tema em sala de aula. Precisamos de educadores capacitados, que compreendam como lidar com algumas situações, criar rodas de debate, ouvir o que o aluno está sentindo. O conhecimento e o diálogo ainda são o melhor caminho”, finaliza Rodrigues.

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