Polícia Federal de Campinas apreende carros de luxo durante operação contra grupo criminoso

 Polícia Federal de Campinas apreende carros de luxo durante operação contra grupo criminoso

Ao menos 11 pessoas foram detidas na manhã desta terça-feira (11) durante operação Black Flag, deflagrada pela Polícia Federal (PF), de Campinas, contra crimes financeiros e lavagem de dinheiro, cometidos por um grupo de pessoas físicas e jurídicas fictícias que chegou a movimentar R$ 2,5 bilhões.

A ação foi conjunta com a Receita Federal e Ministério Público Federal (MPF).

Ao todo, foram expedidos 15 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão em Campinas, Valinhos, Indaiatuba, Sumaré, Capital e Guarujá, no Estado de São Paulo, e também em Fortaleza e Aquiraz (CE), Paraty (RJ) e Brasília (DF).


Um investigado que não foi localizado pela PF na ação se apresentou no período da tarde. Três são considerados foragidos. As prisões são temporárias de cinco dias, podendo ser prorrogadas por mais tempo.

Também foi determinado o afastamento por 30 dias de um delegado da Polícia Federal do exercício do cargo por conta de uma “troca de informações”. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Campinas.

A fraude começou em 2011 e tinha como objetivo sustentar os integrantes do grupo em “padrão cinematográfico” com a compra de veículos de luxo, imóveis, lancha e até patrocínio de esporte automobilístico. Ao menos 30 pessoas são investigadas.

Ao menos 220 policiais federais e 50 servidores da Receita Federal participam da ação.

Entre as medidas cumpridas nesta terça-feira, está o bloqueio de contas e investimentos no valor de R$ 261 milhões, sequestro de bens imóveis e congelamento de transferências de bens móveis.

Na operação foram apreendidos 18 carros de luxo – entre os quais um Porsche, BMW, Mercedes-Benz, Land Rover, Volvo e Ferrari -, joias, documentos, R$ 1 milhão em espécie e até uma lancha avaliada em R$ 4 milhões.

Em Campinas, os mandados foram cumpridos em escritórios, residências e até um SPA localizado no Cambuí, um dos bairros nobres da cidade.

Dos presos, dez são de Campinas – os outros dois foram encontrados em São Paulo e Brasília.

O ESQUEMA

De acordo com a Polícia Federal, a investigação começou há dois anos e as fraudes foram descobertas a partir de ações da Receita Federal, que verificou “movimentações financeiras suspeitas”.

Com a instauração do inquérito, a PF descobriu “uma complexa rede de pessoas física e jurídicas fictícias” na região de Campinas, responsável por movimentar as operações financeiras.

Para proteger o patrimônio, a organização criminosa criou empresas do ramo metalúrgico para assumir a propriedade de bens e blindar o grupo de eventuais ações fiscais. Os créditos já apurados pela Receita Federal ultrapassam R$ 150 milhões.

A origem dos recursos que iniciaram o sistema de fraude é pública. De acordo com o delegado Edson Geraldo de Souza o esquema teve início em 2011, quando o grupo buscou empréstimo de R$ 73 milhões junto ao Banco Desenvolve SP, uma agência de fomento econômico estatal, e outro com a Caixa Econômica Federal.

“No caso do banco Desenvolve SP, ele foi alvo da operação porque a Receita Federal já tinha solicitado documentos relacionados a esse empréstimo, mas os documentos sumiram, então a investigação vai tentar descobrir como que se deu o desaparecimento desses documentos. Mas, neste momento, o banco é tratado como vítima”, disse o delegado em coletiva de imprensa.

De acordo com a Receita Federal, a participação inclui um grande grupo de profissionais, como advogados e contadores, além de responsáveis por falsificação de documentos.

Recentemente, o chefe da organização criminosa passou a atuar no ramo de energia solar e criou uma Offshore – empresa em país de baixa tributação – para justificar a origem do dinheiro.

Além de uma sequência de CPFs falsos emitidos pelo grupo para receber financiamentos e empréstimos de valores que chegaram a R$ 5 milhões para apenas uma pessoa, a organização também utilizava de laranjas para conseguir fazer movimentações financeiras.

A desconfiança da Receita surgiu quando verificou que havia, por exemplo, um funcionário humilde de certa empresa que havia movimentado em dois anos, mais de R$ 82 milhões.

Outra situação encontrada foi de um motorista que havia movimentado em igual período, aproximadamente R$ 64 milhões.

Em outra situação, um vendedor movimentou cerca de R$ 60 milhões, valores estes bem superiores aos padrões dos trabalhadores.

O nome da operação, Black Flag (bandeira preta, em inglês), é uma alusão ao término das atividades ilegais da organização através da ação da polícia, assim como acontece na desclassificação de corredores automobilísticos que descumprem regras do regulamento e recebem a bandeirada preta.

A referência é porque parte dos recursos dos desvios financiava o esporte automobilístico dos principais investigados.

Os envolvidos responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro, crimes contra a ordem tributária, estelionato, falsidade ideológica e material e organização criminosa.

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