Secretário de Infraestrutura tenta justificar atraso nas obras do BRT e culpa Justiça, empreiteiras e população

 Secretário de Infraestrutura tenta justificar atraso nas obras do BRT e culpa Justiça, empreiteiras e população

Foto: PMC

O Conselho Municipal de Trânsito e Transportes de Campinas sabatinou nesta última terça-feira, dia 14/06, o secretário de infraestrutura Carlos José Barreiro. Ele foi tentar se explicar sobre os atrasos nas obras do BRT que, apesar de estarem perto do final, continuam abandonadas e sem qualquer ação do poder público contra as empreiteiras contratadas a peso de ouro.

A maioria das coisas ditas por Barreiro já são velhas conhecidas, pois ele sempre repete o mesmo discurso de: “mês que vem começa”, “vai começar daqui 20 dias” e nunca começa. Essa é uma tática usada para “enrolar” a imprensa e a população com prazos que jamais serão cumpridos.

Vereadores também estiveram presentes na sessão, que foi transmitida pela internet. Os mesmos fizeram questionamentos pertinentes e também receberam respostas vazias, indicando que o BRT deverá continuar com as obras paradas ainda por muito tempo, graças à incompetência da secretaria responsável. Abaixo, em tópicos, confira alguns dos principais temas levantados.


PONTES DA AV. TRANSAMAZÔNICA E RODOVIA DOS BANDEIRANTES NA AV. JOHN BOYD DUNLOP
Barreiro disse o mesmo de sempre: as obras, agora, vão começar em julho. Em 2020 ele disse que ia começar em março. Em 2021 disse que ia começar em abril e depois em novembro. Em abril deste ano disse que ia começar em maio, e agora, diz que começa em julho. Ninguém acredita mais nesses prazos.

CONCLUSÃO DA OBRA
Disse que 93% da obra está concluída e que a maior parte da culpa é da construtora Artec, que está em recuperação judicial, e é o que emperra a finalização. Algo que todo mundo já sabe e o próprio ODC cansou de denunciar várias vezes.

SITUAÇÃO DE CADA LOTE CONSTRUTOR
O primeiro lote já está pronto. No lote 02, o papo de sempre: o trecho do Shopping Parque das Bandeiras é de responsabilidade do empreendimento e precisa de um Termo de Ajuste de Conduta com a prefeitura para que ela inicie as obras. Curiosamente em 2021 o mesmo Barreiro disse que esse termo já estava assinado e que as obras iam começar em março, o que pelo jeito não era verdade. A construtora também está repondo os materiais furtados do que já estava pronto.
Já no lote 03 a construtora está finalizando, a passos de tartatura manca, as obras do Terminal Campos Elíseos, a serem finalizadas em agosto (marquem esta data para cobrarmos). Barreiro agora apareceu com um prazo que não existia: a do Terminal Central. Ele, que dizia que o terminal só ia receber as plataformas BRT depois que os camelôs saíssem das redondezas, agora diz que a obra vai começar nos próximos dias e terminar em novembro. Quem acredita nesses prazos?
O lote 4 é o mais problemático, pois faltam dois termiais e até a pavimentação. Diz o Barreiro que a parte de pavimentação está acabando, mas ainda está em continuação.

FURTOS
Barreiro diz que a obra está sofrendo constantes furtos de materiais. A culpa é de quem? Quem atrasou a obra e inventa prazos que nunca são cumpridos? Quem deveria ser responsabilizado?

TERMINAL SANTA LÚCIA
Diz ele que falta apenas terminar a sala do Centro de Controle, o que não é verdade. O local tem várias falhas de acabamento (e que não são por conta de furtos de materiais) e nem os sanitários foram concluídos. Não deu prazo pra conclusão.

A “CRISE” DO LOTE 4 (Ruy Rodriguez até Terminal Vida Nova)
Barreiro se defendeu sobre a paralisação das obras do Lote 4. As justificativas são bem furadas, mas vamos lá. Diz Barreiro que no início ficou tranquilo pois as obras ficaram sob a responsabilidade de um consórcio, ou seja, se uma construtora não terminasse, a outra poderia terminar, mas não foi isso que aconteceu. No ano passado foi acertada uma multa de 10% do valor do lote, ou seja, R$ 10 milhões, por conta dos constantes atrasos. Barreiro disse que foi obrigado a retirar a multa pois judicialmente a empresa tem direito de defesa, e foi o que ela fez, e apresentou um plano de retomada, dividido em dois: viário e estações/terminais. O consórcio construtor ia construir o viário e contratar uma terceira para terminar o resto, porém a obra foi mais uma vez abandonada e nada foi feito.
Barreiro diz que há 20 dias uma nova reunião foi feita e que agora, o próximo passo, é a rescisão contratual. Com a rescisão feita, a prefeitura terá que assumir os custos faltantes de R$ 18 milhões e terminar a obra, pois a Artec não tem nem capacidade de terminar o mínimo que falta.
Curioso o secretário fazer essas afirmações como vítima, uma vez que todo mundo sabe a péssima situação financeira da Artec desde antes da pandemia. Em dezembro de 2019 os funcionários da Artec em Sorocaba entraram em greve por conta de atrasos nos salários. Lá, a empresa estava fazendo o BRT local e teve seu contrato rompido, ao contrário de Campinas, que seguiu com a mesma construtora, e deu no que deu.

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Diz Barreiro que hoje, dia 15/06, a Caixa deverá dar um retorno sobre um adicional por conta das mudanças nos projetos dos viadutos da John Boyd ainda não concluídos. Se for dado o ok, o contrato é assinado ainda neste mês e a obra começa, no máximo, em julho, conforme dito acima.
Esse mesmo papo já foi dito em 2020 e continua a mesma conversa. Esse aditivo é papo da secretaria desde sempre e está por aí para justificar esses atrasos injustificáveis.

ALTERAÇÕES NOS PROJETOS DAS PONTES DA AV. JOHN BOYD
O secretário, mais uma vez, apareceu com o mesmo papo furado para justificar os atrasos: que o projeto mudou, que teve que ser feito um aditivo, que a Av. Transamazônica ia passar por baixo da Av. John Boyd mas viu-se que isso era impossível, etc. Essa justificativa para o atraso não se aplica nem um pouco, pois as vigas abandonadas no local são para a obra já por cima da Av. John Boyd, ou seja, há anos já se sabia que o projeto seria modificado e mesmo assim continua parado. Se o aditivo da Caixa não sai, é por algum problema por parte da Prefeitura. Por outro lado, na ponte da Bandeirantes, Barreiro tentou culpar a Artesp pelo atraso, pois disse que ela barrou por três vezes os projetos de construção de uma nova ponte no local. Alguém está mentindo, pois oa mesma Secretaria de Infraestrutura disse em 2021 ao ODC, em entrevista, que as obras “já começariam em março pois estava tudo certo”. Como ficou certo e depois errado de novo? E esse não é o primeiro prazo dado não. Vários outros já foram passados e até agora, só enrolação.
Barreiro disse que o prazo de implantação desses viadutos é entre 9 e 12 meses (na entrevista para a CBN há dois meses, ele disse que a obra durará seis meses), e que isso não afeta a operação do corredor. Afetando ou não, as obras têm que ser feitas.

QUESTÕES DE VEREADORES
Otto Alejandro – O vereador questionou se assim que o contrato for rompido no lote 4, se a prefeitura vai assumir as obras. Barreiro já disse que não, que terá que fazer uma nova licitação pois a prefeitura é incapaz de fazer uma obra desse porte. Também já adiantou que com o rompimento de contrato, o Governo Federal terá que aprovar o projeto novamente, pois é ela quem está financiando, o que deverá atrasar ainda mais a situação. Em resumo: Barreiro não quer romper o contrato mas se não tiver mais jeito, vai atrasar ainda mais. E por quê já não rompeu antes? Por quê tanta enrolação?

Cecílio – O vereador perguntou sobre a divisão dos lotes, que poderia ser menor ao invés de dar tantos lotes para empresas menores. Barreiro disse que as empresas são sólidas (sim, estamos vendo com a Artec…), e que se optou por empresas de médio porte pois na época estava em andamento a Operação Lava Jato, e que numa obra desse porte (meio bilhão de reais), só as enormes poderiam participar. Além disso, essas empreiteiras que estão em Campinas já trabalharam como subcontratadas das grandes. Sim, estamos vendo a Artec e esse papelão da prefeitura com ela.

Rodrigo da Farmadic – O vereador questionou as falas do secretário, afirmando que, do jeito que o Barreiro está falando, está quase tudo pronto, faltando apenas uma demão de tinta e apertar meia dúzia de parafusos.

Em resumo: as obras vão atrasar ainda mais, o corredor Ouro Verde capaz de nem ficar pronto mesmo com a licitação do transporte, ou vão operar da forma mais porca possível, com terminais incompletos e cheios de mato. E assim a secretaria segue enrolando a população com os mesmos papos furados. Guardem esta matéria para a próxima entrevista do Secretário para que possa ser feita a comparação dos prazos.

Da Redação ODC.

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