Vereadora é chamada de “preta lixo” por integrante de grupo antivacina na Câmara de Campinas

 Vereadora é chamada de “preta lixo” por integrante de grupo antivacina na Câmara de Campinas

Foto: Câmara de Campinas

A vereadora Paolla Miguel (PT) foi vítima de injúria racial nesta segunda-feira (8), quando discursava na tribuna durante a 26ª reunião ordinária presencial do ano. A parlamentar falava sobre a importância do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra, que estava entrando em votação definitiva naquele momento, quando ocorreu o ataque verbal, vindo de um grupo de manifestantes que estava presente desde o início da sessão protestado contra o chamado passaporte da vacina.

“O grupo que estava aqui é de apoiadores de um determinado político e toda vez que alguém da esquerda subia já começavam ofensas. Mas a partir do momento que comecei a falar da importância de termos um Conselho da Comunidade Negra, e que inclusive tivemos um aumento de casos de intolerância religiosa, comecei a ouvir ataques. Primeiro dizendo que aquilo era mimimi, depois as ofensas foram ficando mais agressivas até a gente ouvir ‘preta lixo’, ofensa que pode inclusive ser conferida na gravação da TV Câmara”, conta Paolla.

As ofensas causaram grande indignação entre todos os vereadores da Casa, que já tentaram identificar o autor enquanto Paolla tentava terminar o discurso. “É muito triste que algo assim tenha ocorrido, ainda mais no Mês da Consciência Negra e no momento em que estamos aprovando um projeto importante para a comunidade negra. Me abalou bastante, fiquei sem ação tentando entender o que estava acontecendo, e com um sentimento de impotência, até porque obviamente não ia atacar o público de volta. O, racismo é um dos crimes que mais mata no Brasil e sentir isso do público abala. Agradeço à solidariedade dos vereadores e vereadoras, que também se colocaram à disposição para testemunhar. Não dá pra aceitar esse tipo de crime dentro da cada do povo, dentro de uma casa de leis”, desabafa.


A parlamentar fará nesta terça (9) Boletim de Ocorrência relatando o crime. A injúria racial ocorre quando se ofende alguém com base em sua raça, cor, etnia, religião, idade ou deficiência, e é crime previsto no parágrafo 3º do artigo 140 do código penal.

O vereador Zé Carlos, presidente da Câmara, também se mostrou indignado com a situação e determinou que sejam analisados todos os vídeos – tanto de segurança quanto da TV – e áudios da sessão na tentativa de identificar responsável ou responsáveis pela injúria racial.

“Todo mundo ouviu o que aconteceu, que saiu do meio de um grupo de manifestantes. Uma manifestação é saudável em uma democracia, mas vir com ofensa em cima de vereador não será tolerado, muito menos uma injúria racial, Vamos apurar acontecimentos e tomar providências cabíveis. Esse pessoal inclusive poderá ser proibido de entrar no plenário: aqui é um ambiente de trabalho, com vereadores eleitos pela população e tem que se manter o respeito. A diversidade de pensamentos é apreciada, mas não podemos tolerar a presença de alguns que não se portam como seres humanos”, protesta Zé Carlos.

O presidente destaca que constantemente durante a sessão, mesmo antes do ataque covarde contra Paolla, ele teve que pedir silêncio, respeito e a observância dos protocolos de segurança – já que constantemente os cerca de 40 manifestantes tiravam as máscaras (além de gritarem palavras de ordem como “vacina mata”, informação que parlamentares como Edson Ribeiro (PL) fizeram questão de desmentir nos microfones. Por sinal, é importante ressaltar que não havia nenhuma votação prevista na segunda-feira sobre o passaporte da vacina, razão alegada pelos manifestantes para estarem na Casa – existia, apenas, um pedido de urgência do vereador Nelson Hossri (PSD) em relação a um PL dele sobre o tema, que não obteve as 11 assinaturas necessárias para ser aprovado.

“Queremos deixar claro que a Casa está aberta para a participação popular e que ela é plural, com vereadores de situação e de oposição, e pensamentos diferentes em relação a diversos temas. Mas todo vereador tem que ser respeitado por seu voto e vontade, seja ela qual for. Não podemos admitir que venham aqui baderneiros que façam inclusive injúria racial contra uma parlamentar. Essa Casa não tolerará esse tipo de situação”, conclui Zé Carlos.

As informações são da Câmara de Campinas.

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