O balcão da padaria amanheceu agitado com duas repercussões pesadas trazidas pelo jornalismo investigativo da nossa região. De um lado, o Correio Popular* revelou que a paciência de parte dos aliados do governo esgotou; do outro, a *CBN Campinas escancarou os números de uma autarquia que tenta usar um cobertor de multas para esconder um sistema em frangalhos.
🪓 1. A “Lei da Babá de Secretário”
A maior surpresa da semana veio da vereadora Débora Palermo (PL). Mesmo integrando a base de apoio ao prefeito, ela não quis passar recibo do desgaste institucional e protocolou um Projeto de Lei (PL) que funciona como um autêntico puxão de orelha público na cúpula do transporte.
O projeto propõe duas medidas drásticas para o Executivo:
- Agendas Escancaradas: Tornar 100% públicas e transparentes as agendas do prefeito, secretários e dirigentes de autarquias (alô, Emdec!).
- Testemunha Obrigatória: Exigir a presença obrigatória de um servidor efetivo (de carreira) em qualquer reunião de agentes públicos com empresários.
O Gilberto traduz a ironia: Débora Palermo se aproveita do episódio da licitação do transporte, e com razão. Ao justificar a proposta como um meio de “moralizar esse tipo de tratativa” diante da “vergonha que estamos passando”, a parlamentar admitiu o óbvio: a cidade não confia mais nos encontros de portas fechadas. Criar uma lei para colocar um funcionário de carreira para “segurar vela” e fiscalizar secretário e presidente de autarquia em reunião com barão do ônibus é a prova definitiva de que o estrago na credibilidade de Fernando de Caires e Vinícius Riverete é irrecuperável.
📊 2. A “Alegria” das 25 Mil Multas: Uma Confissão de Falência
Enquanto o Legislativo tenta achar um desinfetante moral para a crise, a Emdec enviou nota respondendo a uma reportagem da *CBN Campinas para desfilar números de fiscalização. A autarquia se vangloria de ter realizado 1,7 milhão de ações de janeiro a maio deste ano, que resultaram em *mais de 25 mil multas emitidas — um salto assustador de 47% em relação ao mesmo período do ano passado.
O balanço financeiro apresentado pela Emdec é o seguinte:
| Período (Jan-Mai 2026) | Volume de Multas | Valor Gerado | Valor Descontado/Pago |
|---|---|---|---|
| Janeiro a Maio (2026) | +25.000 autuações | R$ 13 milhões | R$ 9,5 milhões |
| Todo o ano de 2025 | 39.000 autuações | R$ 19,5 milhões | R$ 15,9 milhoões |
O Gilberto desmonta a ladainha: A Emdec tenta vender esse aumento de 47% nas multas como um troféu de eficiência fiscalizatória. Mas para o trabalhador que mofa no ponto de ônibus ou chega atrasado porque o ônibus quebrou, isso é uma confissão de falência do sistema.
Se as empresas tomaram 25 mil multas em cinco meses por descumprimento de partida, atrasos crônicos e falta de veículos na rua, significa que o serviço prestado é uma calamidade pública diária.
Além disso, a matemática não fecha na cabeça do contribuinte. A autarquia bate no peito para dizer que tirou R$ 9,5 milhões dos operadores em punições. Só esqueceram de avisar na matéria da rádio que, na outra ponta do balcão, a prefeitura despeja uma colher de sopa de rigor e um caminhão de bondade: o ralo dos subsídios pagos pelo município às mesmíssimas empresas bateu a marca histórica de R$ 218 milhões. Ou seja, o governo tira R$ 9 milhões com uma mão em multas e entrega R$ 218 milhões com a outra em dinheiro público. Bela punição!
Conclusão: O Teatro de Papel não se Sustenta no Asfalto
O resumo da ópera campineira neste final de semana é desenhado por um nó cego perfeito. A Emdec emite milhares de multas que provam que o transporte não funciona; a licitação de R$ 11 bilhões segue congelada; o secretário tenta justificar reunião pré-leilão em janeiro; e a própria base do prefeito na Câmara corre para aprovar lei antilobista para não afundar junto na lama da opinião pública.
O prefeito Dário Saadi conseguiu evitar ser alvom de Comissão Processante, mas a poeira moral desse escândalo está longe de assentar.
O Gilberto Beaumont vai recolher os canhotos de multas da Emdec e atualizar o caderninho de notas. Em Campinas, o ônibus atrasa, a tarifa pesa, mas o espetáculo político nunca perde o horário!
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