Dados inéditos obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelo ODC revelam um paradoxo indigesto para o passageiro campineiro: o sistema de transporte coletivo operou com uma folga média de 1,3 milhão de pessoas por mês durante o último trimestre, mas a redução na demanda não se traduziu em melhoria no serviço. Pelo contrário, as sucessivas quebras de veículos e o descaso com a manutenção continuam a empurrar a paciência da população ao limite, mesmo com ônibus mais vazios.
O “buraco” na demanda
Com a chegada das férias escolares e festas de fim de ano, os números despencaram, mantendo uma estabilidade curiosa em um patamar muito inferior:
Dezembro/2025: 8.393.600 passageirosJaneiro/2026: 8.364.581 passageirosFevereiro/2026: 8.352.805 passageiros
Na prática, a média do trimestre de férias (8,37 milhões) foi 14% menor do que a média dos meses letivos anteriores (~9,72 milhões). Em janeiro, o sistema chegou a transportar quase 2 milhões de pessoas a menos do que no pico de outubro.
Gestão em pane
Para quem depende do transporte, a queda de quase 1,4 milhão de passageiros mensais deveria significar viagens mais rápidas e veículos menos sobrecarregados. No entanto, o que se vê nas ruas de Campinas é o oposto. O campineiro tem “ficado maluco” com uma rotina de incertezas: se o ônibus não quebra no meio do trajeto, ele simplesmente não passa, fruto de uma frota que parece ignorar o conceito de manutenção preventiva.
A crítica recai sobre a gestão da Emdec e das concessionárias. Se com 10 milhões de usuários o sistema já agonizava, a incapacidade de oferecer um serviço digno com 8,3 milhões prova que o problema não é a “lotação”, mas sim o sucateamento. As quebras constantes, que deixam passageiros à espera de socorro em avenidas como a Lix da Cunha ou a John Boyd Dunlop, tornaram-se o símbolo de uma administração que arrecada milhões, mas entrega atrasos.
E isso porque ainda tem o horário de férias, que corta uma parte bastante importante da frota. Mesmo com esse ‘fôlego’, os problemas foram constantes.
A conta que não fecha
A pergunta que fica para a Secretaria de Transportes é clara: se nem com o alívio das férias escolares a frota consegue circular sem incidentes mecânicos graves, o que esperar para o retorno integral das aulas e o aumento do fluxo em março? Pelo histórico recente, o passageiro já sabe a resposta — e ela envolve muita espera e o risco iminente de descer no meio do caminho por pane no motor.





