Após “ressaca” da licitação, cai a ficha: valores oferecidos são incompatíveis com operação. Como a Emdec vai agir?

O leilão da licitação do transporte coletivo urbano de Campinas, passada a “ressaca” do processo na Bolsa de Valores de São Paulo e as marteladas circenses, começa a “cair a ficha”.

Os valores oferecidos no leilão ficaram abaixo do esperado, o que levantou uma boa animação na equipe da Emdec, mas reflete algo que poderá se tornar um problema a curto prazo.

No caso do Lote Sul, cujo custo operacional é mais baixo, e onde a tarifa de remuneração começou em R$ 11,14, ficou em R$ 9,54, oferecido pela empresa Sancetur.

Já no Lote Norte, onde o custo operacional é mais alto por conta da distância dos bairros a serem atendidos, a tarifa começou em R$ 11,74 e terminou em R$ 9,49, ofertado pelo Consórcio Grande Campinas.

A dúvida ficou justamente isso: como operar em um lote onde naturalmente o custo operacional é mais alto, mas com uma tarifa ofertada menor que o lote sul?

Hoje, de acordo com cálculos feitos pelo ODC, já que a Emdec não disponibiliza essa informação em nenhum portal de transparência, o subsídio é de R$ 3,27, complementando a tarifa atual.

Já no Lote Norte, com a atual tarifa, o subsídio ficaria em R$ 2,99, menos do que é pago hoje, gerando dúvidas sobre a capacidade operacional com tal valor.

As empresas vencedoras têm até a quinta-feira para apresentar as propostas e planilhas atualizadas com a nova tarifa oferecida no leilão. Depois será feita a análise por uma equipe da Emdec.

O problema está justamente aí: ficou muito claro durante o leilão que a cúpula da Emdec agiu de forma bastante vingativa, ao contrário de técnica, durante o processo. Expulsar as atuais operadoras a qualquer custo era uma prioridade, mesmo que as substitutas não tivessem condições de operar.

Os documentos precisam se tornar públicos para verificar se a Emdec está realmente agindo com idoneidade e transparência, ou se apenas está sendo movida por interesses próprios.

É fato que o transporte de Campinas precisa ser reformulado com urgência, depois de 14 anos de desmandos do poder público, mas que seja feito com total transparência e legalidade.

Da Redação ODC.
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