Bom dia para quem sobreviveu a mais uma travessia pela Avenida Carlos Lacerda. Se antigamente Campinas era conhecida como a “Cidade das Andorinhas”, hoje o símbolo municipal deveria ser uma lombada.
O Enigma da Carlos Lacerda: Lombada com Semáforo?
A Avenida Carlos Lacerda virou o laboratório principal dessa loucura.
O ápice do “gênio” do planejamento é a existência de lombadas próximas a semáforos. Eu gostaria de perguntar ao analista da Emdec, aquele que usa o software de última geração para “otimizar soluções”, se o programa dele previu isso. Qual é a lógica de fazer o motorista frear no obstáculo para, cinco metros depois, parar no sinal vermelho? É para testar o freio ou para gastar pastilha? Talvez na simulação 3D tudo pareça fluido, mas na vida real é apenas um exercício de irritação coletiva.
Ambulância com Emoção no Beneficência Portuguesa
Se você achava que a falta de lógica tinha limites, a Emdec provou que o céu — ou o asfalto — é o limite. Instalaram uma lombada próximo à entrada e saída de ambulâncias do Hospital Beneficência Portuguesa.
Imagine a cena: um paciente em estado grave, precisando de estabilidade, e a ambulância tem que dar um salto digno de rali logo na porta do hospital. É a “humanização” do trânsito: se o paciente não estava acordado, o solavanco da Emdec garante que ele chegue vibrando na emergência. É o tipo de “vias seguras” que a atual gestão da Emdec tanto defende, mas que na prática parece mais um teste de resistência para as macas.
O Pesadelo do Passageiro (e da Frota Sucateada)
Para quem depende do transporte público de R$ 6,00, a experiência é ainda pior. Na Carlos Lacerda, as viagens de ônibus se tornaram o “Teste do Canguru”.
Os passageiros pulam involuntariamente nos assentos a cada dois minutos.
Os motoristas já perderam tanto tempo e tanta paciência com o cronômetro da Emdec que passam por cima das lombadas com tudo.
Os ônibus, que já estão em péssimo estado, batem a traseira no asfalto com um estrondo que lembra o fim dos tempos.
É irônico: o edital de licitação prevê um investimento de R$ 317,9 milhões em frota logo no primeiro ano porque os ônibus atuais estão acabados. Mas de que adianta o investimento se a Emdec transforma as ruas em moedores de suspensão? É como comprar um sapato novo para caminhar sobre brasas.
Cadê as Borboletas Agora?
No vídeo institucional da Prefeitura, o BRT é cercado de borboletas e flores, prometendo que você vai “chegar mais rápido”. Eu adoraria ver essas borboletas virtuais tentando sobreviver a um solavanco na Carlos Lacerda. Provavelmente perderiam as asas no primeiro “pulo”.
Dário e Emdec: menos “SimCity” e mais bom senso. O campineiro não quer um parque de diversões de solavancos; ele quer chegar em casa sem precisar de uma sessão de fisioterapia.
Se a meta era reduzir a velocidade, talvez seja hora de rever a estratégia: com cada vez mais motoristas e motociclistas passando com tudo nas lombadas, o que antes era um risco de velocidade vira risco de capotamento. E a grande maioria das barbeiragens que a gente vê por aí acontece independentemente da velocidade.





