Chedid e Smile vencem leilão do transporte de Campinas, mas calma: esse é só o começo

Acabou há poucos minutos o leilão do novo transporte coletivo de Campinas, e, se tudo acontecesse como seria às 16h05 do dia 5 de março, VB, Campibus, Itajaí, Onicamp e Pádova estariam fora do sistema de transporte da cidade.

A Sancetur foi a vencedora do leilão no lote Sul, que tinha como concorrentes diretos o grupo Smile (pelo Consórcio Andorinha) e um consórcio formado por empresas ligadas à Expresso Campibus, Itajaí Transportes Coletivos e Onicamp Transporte Coletivo (Consórcio VCP Mobilidade). A possível futura “SOU Campinas” ofereceu tarifa de R$ 9,54, 14,9% a menos do que era previsto inicialmente para o lote. Foi uma disputa que se encerrou rapidamente.

Porém, no lote Norte, o leilão foi até o último segundo, quase que literalmente. Em uma disputa acirrada, o Consórcio MOV Campinas (formado pelo Grupo Belarmino e a empresa TUPi, de Piracicaba) foi vencida pelo Consórcio Grande Campinas (formado por empresas também ligadas ao Grupo Smile), que ofereceu R$ 9,49 (diferença de 19% do valor inicial).

O que significam esses valores?

Na prática, é o quanto a empresa vai receber da prefeitura por passageiro. O valor considera a tarifa paga por nós, usuários, mais o subsídio que será pago pela administração (com base em um cálculo onde entra também a qualidade do serviço oferecido, iniciativa adotada neste edital. Quanto pior a prestação do serviço, menor será o valor a ser recebido).

Resumo: O valor de tarifa indicado foi o técnico, ou seja, o valor de custo total do sistema, incluindo a oferta de ônibus, a demanda de passageiros e as operações dos terminais.

Tchau, VB, Campibus, Itajaí, Onicamp e Pádova?

Em teoria, sim. Mas, é muito provável que haja uma disputa jurídica, especialmente no Lote Norte, onde a competição foi mais ferrenha. Os próximos dias é que vão ditar o rumo da licitação do transporte de Campinas.

Já no caso do Lote Sul (região do Campo Belo e Ouro Verde), a probabilidade aponta que não haverá nenhum questionamento à Justiça.

Quando muda?

Ainda vai demorar. Só em 2027. Após o leilão de hoje, processos burocráticos devem ser seguidos para a comunicação do resultado e validação dele, supondo que não haverá qualquer tipo de contestação do resultado –há um prazo para esse questionamento, inclusive.

Entenda os próximos passos

  • Pós-leilão
    Conforme as regras da B3, agora será feita a verificação e julgamento dos documentos de qualificação jurídica, técnica, econômico-financeira e regularidade fiscal e trabalhista das empresas vencedoras.
  • Julgamento final
    Após essa validação, a proposta é julgada e será apontado o vencedor.
  • Homologação
    O resultado da licitação é homologado pela prefeitura. Ou seja, reconhecido pela administração.
  • Assinatura da concessão
    Formalização do contrato, onde também estará explicitado quando começa a operação.
  • Início da operação

Prazos para os próximos passos, segundo a Emdec

  • 5 dias úteis prorrogáveis por mais 5 para a entrega das planilhas atualizadas.
  • Prazo indeterminado para avaliação das planilhas e viabilidade das propostas pela Comissão de Licitação.
  • Publicação do julgamento.
  • 3 dias úteis para interposição de recursos.
  • Não havendo recursos, publica-se a homologação.
  • 2 meses para a constituição das SPEs (Sociedade de Propósito Específico).
  • Assinatura do contrato.
  • 120 dias para emissão da Ordem de Serviço pelo Poder Público que autoriza os investimentos.
  • 180 dias para a aquisição dos veículos, estruturação das garagens e início da operação.