Cortina de Fumaça: Prefeitura ostenta R$ 40 milhões em multas do transporte

Meus amigos, a prefeitura de Campinas acaba de soltar um dado que é, ao mesmo tempo, impressionante e desesperador. Segundo o novo release, as operadoras de ônibus já pagaram quase R$ 40 milhões em multas desde 2021. São mais de 106 mil autuações operacionais.

O presidente da Emdec, Vinicius Issa Lima Riverete, diz com tom grave que é “inaceitável que o passageiro não saiba se o ônibus vai passar”. Pois bem, Riverete, se aconteceu 106 mil vezes sob a sua gestão, parece que o “inaceitável” virou o novo normal da Vila Industrial.

A Matemática do Absurdo

O release traz uma tabelinha que mostra a “evolução” das multas operacionais:

  • 2021: R$ 2,4 milhões
  • 2025: R$ 12,6 milhões (um salto de mais de 400%!)

Para o cidadão comum, isso parece “rigor”. Mas, isso é o atestado de óbito do sistema atual. Se o valor das multas quintuplicou em cinco anos, é porque a estratégia não está funcionando. As empresas não estão “aprendendo” com as punições; elas viraram parte do dia-a-dia operacional do sistema.

O Truque do Dinheiro que “Vai e Vem”

A parte mais cínica do texto é quando explicam que os valores são “descontados diretamente do subsídio”.

Vamos traduzir isso para o português claro:

  • Você paga o imposto (IPTU, ISS).
  • A prefeitura pega esse seu dinheiro e dá para a empresa de ônibus (subsídio recorde de R$ 190 milhões este ano).
  • A empresa não passa no ponto ou quebra o ônibus.
  • A Emdec aplica uma multa e pega uma beirada desse subsídio de volta.

Resultado Final: A prefeitura faz marketing com o seu dinheiro “recuperado”, a empresa continua prestando um serviço ruim, e você continua no ponto. É o milagre da multiplicação do prejuízo.

O Timing Perfeito (ou Cortina de Fumaça)

Por que soltar esse balanço de multas justamente agora, quando o ODC e a população estão perguntando: “Quem é, afinal, esse Consórcio Grande Campinas que ganhou o Lote Norte com um preço de banana?”.

Falar de R$ 40 milhões em multas acumuladas é uma tentativa de dizer: “Vejam como somos rigorosos! Não se preocupem com o novo grupo que tem tudo para assumir o Lote Norte, nós vamos multá-los também!”. O problema é que o passageiro do Campo Grande não quer ver notificação de multa no Diário Oficial; ele quer ver o ônibus na plataforma.

Se o sistema atual, com empresas que a prefeitura conhece há décadas, gerou 106 mil infrações, imagine o que vai acontecer com um consórcio que parece estar prometendo mundos e fundos para ganhar o Lote Norte no “preço do desespero”.

A Emdec está tentando vender um fracasso operacional (o excesso de multas) como uma vitória da fiscalização. Menos arrecadação e mais operação, senhores. O bolso do campineiro já sustenta subsídios e tarifas caras demais para ainda ter que aplaudir balanço de infração. E a realidade nas ruas, meus amigos, é bem mais amarga.

O transporte, especialmente nesse finalzinho do atual sistema, virou saco de pancadas da imprensa, de vereadores e de páginas de redes sociais. E parece que a Prefeitura não está muito preocupada com isso. Pior: resolveu usar de escada.