De novo, prefeitura usa ação orquestrada para dizer que está tomando providências no transporte

A prefeitura de Campinas voltou a usar ações orquestradas para tentar minimizar a negatividade do atual governo junto à população. Na semana passada, uma série de “coincidências” chamou a atenção.

Durante uma semana um canal de televisão fez uma série de conteúdos relacionados aos problemas do transporte coletivo urbano, algo que a mesma faz esporadicamente.

No final da mesma semana, a prefeitura diz ter convocado uma reunião de “urgência” com operadores do transporte público e que “exigiu” o conserto da frota quebrada.

Há cerca de três semanas o ODC já tinha apurado que no mês de março as concessionárias do transporte coletivo urbano iria iniciar uma manutenção massiva da frota, ou seja, de qualquer forma esse conserto já iria acontecer.

Usando o “timing” da licitação, considerando que na semana passada houve proponentes no processo, dando um alívio à prefeitura, que não tem feito nada pelo transporte há pelo menos 10 anos, resolveu-se montar o circo.

Mais uma vez levanta-se a suspeita de que alguém de dentro da prefeitura espalha para a imprensa da cidade algumas situações já corriqueiras no transporte para que no final da semana seja feito algum “grande anúncio”, criando uma situação de melhoria artificial.

O mesmo “modus operandi” aconteceu no ano passado, quando a prefeitura fez o “anúncio” da compra de pelo menos 50 novos ônibus para o transporte coletivo municipal.

Antes desse anúncio, a mesma emissora de televisão também fez uma série de conteúdos falando basicamente as mesmas coisas, sobre atrasos e quebras da frota de ônibus.

Na ocasião, o ODC já tinha levantado a hipótese de ação orquestrada pela série de “coincidências”, uma vez que a compra de ônibus novos não é feita do dia para a noite, suspeitando-se de que essa compra já tinha sido feita, porém a prefeitura usou a situação para dizer quw se tratava de uma benfeitoria própria.

Outra situação que chamou a atenção foi a da prefeitura anunciar que colocou em prática uma “operação especial” com veículos de cooperativas em linhas de empresas.

Na verdade, durante toda a semana, foram remanejados apenas dois ônibus de cooperativas, um para cada linha da VB3, para tentar “apagar o incêndio” causado pela mesma emissora de televisão em uma matéria realizada no começo da semana.

É fato o problema de operação em algumas linhas da cidade, porém quase nada foi feito de forma efetiva. Dois ônibus remanejados para fazer meia dúzia de viagens, num universo de mais de 3000 viagens, evidentemente não significa absolutamente nada.

Do jeito que a prefeitura falou, parecia que foram remanejados dezenas de veículos, o que evidentemente não é verdade. O plano de emergencia (PAESE) usa vários veículos, e isso não foi feito.

Além disso, a Emdec errou de forma absurda ao colocar em operação um veículo sem porta à esquerda em uma linha que as usa. Minimamente os agentes deveriam orientar o veículo a parar do outro lado da rua e fazer o embarque de forma segura. Nem isso a Emdec sabe fazer direito.

Mas isso foi ótimo para gerar conteúdo para a imprensa campineira, especializada em criticar sem mostrar saídas para resolver o problema, reforçado o caráter orquestrado de toda a ação, com o dedo da própria prefeitura.

É sempre importante lembrar que quem comanda a comunicação da prefeitura já foi do outro lado, ou seja, já foi de emissora de televisão campineira e sabe muito bem como funciona o sistema e usa a seu favor para blindar o prefeito de suas incompetências.

Da Redação ODC.
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