Uma das empresas que fazem parte do Consórcio Grande Campinas, vencedora do Lote Norte da licitação do transporte coletivo urbano e que está sob suspeita, já é velha conhecida da prefeitura, com quem mantém laços desde 2019.

Tal contrato foi sendo prorrogado até o ano de 2022, conforme contratos e extratos publicados no Diário Oficial do Município. Curiosamente, no ano seguinte, houve uma alteração.
Para o mesmo lote, a vencedora foi a Rhema Mobilidade, que tem ligações com a Smile, de acordo com documentos públicos da Junta Comercial de São Paulo, e desde então o contato vem sendo prorrogado anualmente.

Os ônibus que circulam no lote em que a Rhema foi contratada ostentam a logomarca da Smile na traseira, reforçando a ligação entre as duas empresas.
De acordo com os dados que constam no próprio Diário Oficial do Município, a última prorrogação de contrato aconteceu já em 2026, em 26 de fevereiro, data bem próxima ao leilão do transporte coletivo urbano que aconteceu na B3 em São Paulo.

Curiosamente ou não, o lote em que a Rhema venceu no transporte urbano, através do Consórcio Grande Campinas, fica na mesma região onde já opera no transporte escolar.
Isso pode configurar um desafio logístico a menos para a empresa, que pode usar uma infraestrutura já existente em caso de início de operação. É mais uma das “coincidências” do processo sob suspeita.
Além disso, no ano passado a Rhema teve sua área de atuação no transporte escolar campineiro ampliado em 25%, o que representou um acréscimo de 22,5% no valor do contrato da empresa, com a conivência de outras secretarias correlatas.

No mesmo ano em que a Smile, teoricamente, teria saído do contrato escolar para que a Rhema pudesse assumir o mesmo lote, foi autorizada uma indenização no valor de mais de R$ 6 milhões para a empresa, em despacho proferido pelo prefeito Dário Saadi.

As indenizações se referem a dois contratos que foram assinados em 2019, primeiro ano da empresa na cidade. A autorização aconteceu no final daquele ano.
O documento não explica exatamente o motivo de tal indenização, podendo ser por conta de atraso de pagamento ou algum outro motivo justificado em processo, porém falta clareza sobre o valor.
A relação da prefeitura com as empresas do consórcio vencedor do Lote Norte já é antiga, e abre uma nova ferida sobre o processo licitatório bilionário do transporte em Campinas, que segue sob investigação dos órgãos competentes.
Em resposta aos questionamentos do Tribunal de Contas do Estado, a prefeitura ignorou totalmente qualquer possibilidade de irregularidade, deixando às claras que deverá assumir o risco de incorrer em improbidade administrativa, podendo culminar até em perda de mandato do chefe do executivo.
Da Redação ODC.
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