Especialistas levantam dúvidas da capacidade operacional no Campo Grande com tarifa excessivamente baixa

A licitação do transporte coletivo urbano de Campinas foi transformada em um enorme circo pela prefeitura e pela Emdec. Com direito a marteladinha na Bolsa de Valores, o prefeito está convicto de que o enorme abacaxi está descascado, mas bem longe disso.

O processo ainda não terminou e ainda serão analisadas as propostas das empresas e consórcios vencedores no leilão da última quinta-feira, com readequação de valores.

O que mais chamou a atenção foram os baixíssimos valores apresentados no Lote Norte, que teve disputa intensa entre a Smile Turismo e o Consórcio MOV Campinas.

A Smile Turismo está representada por meio de suas várias empresas em um consórcio denominado Grande Campinas. Hoje, a empresa tem linhas escolares em Campinas e em várias outras cidades da região, mas opera urbano apenas em Catanduva e em Santa Bárbara D’Oeste.

O valor final do leilão ficou em R$ 9,49, considerado por técnicos especializados em transporte muito baixo para uma operação como a da região do Campo Grande.

Historicamente a região do Campo Grande em Campinas é conhecida por “quebrar” empresas por conta do seu alto custo operacional. Em quarenta anos de história foram nove empresas que operaram por lá:

Começou com a Viação Campos Elíseos, pois nem a CCTC quis operar lá em virtude da infraestrutura precária e pela enorme distância do Centro. A empresa enfrentou dificuldades e saiu, deixando a operação para a TUGRAN, que quebrou em um ano.

Logo depois a EMDEC assumiu a operação, tendo a URCA exclusivamente nas linhas do Parque Itajaí. Em 1994 entrou a Viação Santa Catarina, que faliu em 2000.

Assumiu a Viação Morumbi, que quebrou dois anos depois. A empresa foi assumida pela VBTU e apresentou dificuldades pouco menos de dois anos depois. Foi assumida às pressas por um grupo baiano.

Em 2005, assumiu a Itajaí Transportes, que está cumprindo o contrato com muitas dificuldades. Com um valor tão baixo apresentado, ficou nítido que a Smile terá sérias dificuldades em operar na região, até por falta de know-how no setor.

Mesmo assim, a prefeitura acha que está tudo certo, pois “conseguiu terminar um processo licitatório”. As dificuldades que poderão se seguir deverá levar o transporte novamente para o buraco.

É necessário aguardar os próximos capítulos, pois ainda será feita a análise de uma nova proposta, agora com novos valores, para verificar se a empresa terá capacidade financeira para assumir uma operação que exigirá 99 ônibus articulados, de alto custo operacional.

Depois, não adianta chorar o leite derramado.

Da Redação ODC.
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