Meus amigos, o espetáculo na Bolsa de Valores foi digno de um Oscar. Teve terno (pouco) alinhado, discurso político e até cumprimento caloroso entre o prefeito Dário Saadi e o empresário Marquinho Chedid, cuja empresa, a Sancetur, deve assumir o Lote Sul. Enquanto o empresário fazia seu discurso com tom de palanque, o passageiro do Ouro Verde e do Campo Grande assistia ao leilão pelo celular, torcendo para que o ônibus da volta não quebrasse.
Milagre ou Miragem?
O Consórcio Grande Campinas — um grupo de CNPJs com histórico de operações questionáveis pelo Brasil — arrematou o Lote Norte por um valor muito abaixo do esperado. Vale lembrar que a região do Campo Grande é quase um “triângulo das bermudas” do transporte campineiro. São as linhas mais longas, com IPK (Índice de Passageiros por KM) menor e um “km morto” (deslocamento garagem-ponto) que engole qualquer lucro.
A pergunta que fica no ar da Vila Industrial: a Prefeitura irá analisar seriamente as planilhas do Consórcio Grande Campinas ou vai “pagar para ver” e rezar para o sistema não colapsar em seis meses?
O “Chão de Fábrica” da Vila Industrial
Nos bastidores da Emdec, o clima é de “vitória total”, e qualquer ceticismo é carimbado como “desinformação”. Também nos bastidores, rola uma narrativa de que o ODC está batendo no “chão de fábrica” da autarquia.
Ora, vamos colocar os pingos nos is! Quem é o verdadeiro chão de fábrica: os motoristas que desviam de buraco, os fiscais que ouvem reclamação o dia todo e os agentes da Emdec que estão na rua, no sol e na chuva, tentando organizar a bagunça operacional.
Conclusão: O Brilho da Sancetur e a Sombra do Norte
Dário Saadi saiu da B3 radiante com a vitória da Sancetur no Sul. O “bromance” político entre a prefeitura e a família Chedid está em lua de mel. Mas enquanto os brindes acontecem em São Paulo, o Lote Norte paira como uma nuvem negra sobre a região Noroeste.
Se a viabilidade financeira do Consórcio Grande Campinas for tão real quanto as borboletas virtuais do vídeo da prefeitura, o campineiro está em apuros. A Emdec tem poucos dias para decidir: ou segue o rigor técnico e analisa a planilha com devida lupa, ou entrega as chaves do Campo Grande para uma aventura que pode custar caro para o bolso (e o tempo) de quem paga R$ 6,00 por viagem.





