Se você não ficou sabendo da audiência pública na Câmara Municipal para discutir a extensão dos contratos das empresas de ônibus, não se sinta mal. Foi planejado para ser assim. Publicar um convite na noite anterior ao evento é a assinatura clássica da covardia política.
A improvisação de bilhões: por que só agora?
Curioso é o Secretário Fernando de Caires vir falar em “transição responsável”. Se a Prefeitura e a Emdec sabiam que os contratos venciam em abril, por que não negociaram essa extensão antes do leilão na B3? Por que não passaram esse projeto de lei quando o edital foi publicado, com calma e transparência?
A impressão que fica é de um improviso total. Eles fizeram a festa na Bolsa de Valores, tiraram foto sorrindo com o martelo na mão, mas esqueceram de combinar com o calendário. Agora, correm para a Câmara em regime de urgência porque descobriram que a atual extensão de contrato está acabando. Considerando que as atuais operadoras perderam no leilão, o timing é o pior possível. Haja subsídio para convencê-los a ficar até o fim da transição (e do litígio judicial que vem aí em torno da licitação).
O “Pastoreio” da base e o constrangimento aliado
Aqui na Câmara, o clima é de velório para os governistas. A base aliada deve votar a favor do projeto, mas com constrangimento,, enquanto a oposição está como lobo à espreita, farejando o sangue da incompetência administrativa. Mas a gente sabe como funciona: o governo tem a caneta, o orçamento e “pastoreia” sua larga base sem deixar espaço para a consciência. O projeto vai passar, o contrato vai ser estendido, mas o desgaste político é uma mancha de óleo diesel que não sai com sabão.
A Decadência
Enquanto eles discutem “segurança jurídica” e “fases societárias” no ar-condicionado, a realidade lá fora é o passageiro revoltado, a partida não cumprida e o ônibus quebrado. O verdadeiro chão de fábrica, esse sim, está trabalhando diariamente com certo constrangimento, levando desaforo para casa por problemas dos quais que não têm culpa. O sistema atual está há tempos em ritmo de “fim de feira”. E prepare-se: o pior pode ainda estar por vir.





