O passageiro das linhas 114 (Melina), 117 (DIC VI) e 120 (Terminal Ouro Verde) agora tem uma explicação numérica para o aumento dos intervalos e o aperto insuportável nos horários de pico. Dados da bilhetagem obtidos via LAI revelam que a frota dessas linhas foi sacrificada para viabilizar a operação da recém-criada 177, um itinerário que, segundo bastidores, nasceu de pressões políticas e que, na prática, circula batendo lata pelas avenidas da cidade.
O Peso da Ineficiência: 100 mil contra 10 mil
| Linha | Outubro de 2025 | Fevereiro de 2026 | Perfil da Linha |
| 117 (DIC VI) | 141.431 | 107.732 | Gigante do Ouro Verde |
| 120 (T. Ouro Verde) | 125.959 | 101.135 | Troncal de Alta Demanda |
| 114 (Jardim Melina) | 59.630 | 44.958 | Melhor conexão |
| 177 (Nova Linha) | 19.318 | 10.008 | “Linha Fantasma” |
Análise: Em fevereiro, enquanto a linha 117 transportava mais de 107 mil pessoas, a linha 177 mal passava das 10 mil. O dado mais alarmante surge em janeiro, onde os registros oficiais da linha 177 mostram uma operação zerada, sugerindo que a linha sequer funcionou ou não teve demanda mínima registrada, enquanto as outras continuavam carregando o peso da cidade.
Canibalismo de frota: o custo do “favor” político
Para que a linha 177 pudesse rodar — muitas vezes vazia, como o ODC presenciou dezenas de vezes no horário de pico — a prefeitura retirou veículos das linhas 114, 117 e 120. O resultado é matemático: menos ônibus em linhas de 100 mil passageiros significa maior tempo de espera na paragem e veículos onde “não cabe uma mosca”.
A criação da 177 é descrita por usuários e técnicos como uma “enchenção de saco” legislativa que virou realidade à custa do sofrimento alheio. É a política do privilégio sobrepondo-se à logística: sacrifica-se a eficiência de um corredor inteiro para atender a um reduto específico ou a uma promessa de gabinete, deixando o trabalhador do DIC VI e do Ouro Verde entregue à própria sorte.
O passageiro como refém
A gestão do transporte em Campinas parece ignorar os próprios dados. Se a bilhetagem de fevereiro mostra que a 177 tem apenas 10% da força de uma linha como a 117, por que insistir em manter carros alocados ali enquanto o passageiro do Terminal Ouro Verde vê seu ônibus passar lotado e com atrasos de 30 a 40 minutos?
O campineiro está “maluco” porque sente que o sistema trabalha contra ele. Enquanto linhas vitais definham por falta de carros, ônibus vazios da 177 desfilam pela cidade como monumentos à má gestão e à influência política. Os dados da LAI não mentem: Campinas está tirando ônibus de quem precisa para dar a quem o vereador quer.





