Pedido de prorrogação de contrato no transporte gera ainda mais desconfiança sobre direcionamento em licitação

Foi publicado no jornal Correio Popular na última sexta-feira, dia 20/03, que a prefeitura de Campinas encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei complementar solicitando autorização para prorrogar mais uma vez o contrato das atuais concessionárias do transporte coletivo urbano da cidade.

A solicitação pede autorização para prorrogar por até mais três anos, ou seja, pelo menos até meados de 2029. O atual contrato está em vias de vencer.

Até aí, acredita-se ser uma mera formalidade para manter a operação do sistema de transporte enquanto se conclui o processo de licitação do setor, que ainda está em andamento.

O possível contrato de 3 anos pode ser rompido antes em caso das novas concessionárias assumirem as rotas dentro do prazo, ou seja, é mais uma “gordurinha” para caso ocorra alguma intercorrência.

O problema está justamente aí. Para um contrato tão longo, algo está ocorrendo nos bastidores da Emdec e que está sendo omitido da população, o que é de praxe da atual gestão.

De acordo com colaboradores da Emdec sob condição de anonimato, uma das vencedoras do leilão do transporte campineiro pediu mais tempo para conseguir assumir as linhas.

Esse pedido é ilegal. Foi estabelecido um prazo no edital e todas as participantes estavam cientes do processo. Caso seja concedido qualquer coisa diferente do que está no edital, é passível de processo judicial.

Caso a empresa e/ou consórcio vencedor não tenha condições de cumprir os prazos previstos em edital, a mesma deve ser desclassificada e a segunda colocada é convocada, reiniciando o processo.

Chamou a atenção a solicitação de prorrogação do atual contrato acontecer justamente no dia seguinte ao término do prazo de envio das planilhas de custos atualizadas para as novas tarifas ofertadas em leilão, pelas empresas/consórcios vencedores do certame.

Curioso também vereadores que nunca fizeram nada pelo transporte agora quererem opinar a respeito. Ficaram 6 anos inertes e agora querem serem protagonistas de algo que nunca se preocuparam.

Se a prorrogação tiver relação com pedidos fora do certame, caberá à Polícia Federal e ao Ministério Público investigar algum susposto direcionamento.

Da Redação ODC.
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