A prefeitura de Campinas e a Emdec parecem continuar “batendo cabeça” sobre os problemas sérios que envolvem o transporte coletivo urbano da cidade.
A prefeitura do Rio de Janeiro buscou financiamentos enormes para reformular completamente o seu sistema de BRT, que estava completamente abandonado.
Com uma frota totalmente sucateada e estações depredadas, a circulação era precária e com poucos horários. As empresas simplesmente deixaram de investir no modal.
O prefeito Eduardo Paes, diante de tal cenário, conseguiu financiamento com o Governo Federal e municipalizou o serviço, comprando uma gigantesca frota de veículos zero quilômetro.
As estações foram completamente reformadas e requalificadas, a segurança foi reforçada em todo o corredor e câmeras estão em todos os locais, proporcionando monitoramento permanente.
Goiânia também está passando por uma requalificação completa do seu BRT, em parceria com as atuais operadoras do modal. Veículos elétricos e até biarticulados não param de chegar.
Já Campinas parece que está “dormindo em pé”. Com o transporte caindo aos pedaços, as estações do seu BRT já têm falta de materiais nos tetos, vivem em pane elétrica e a frota, pior ainda.
A compra de uma nova frota pela prefeitura resolveria o problema pelo menos em 70%. Há muito tempo o ODC vem cobrando alguma decisão nesse sentido. A prefeitura fazer a compra de novos ônibus não é novidade nenhuma no Brasil e já aconteceu inclusive na época da própria Emdec quando operadora do transporte no Campo Grande entre 1990 e 1994.
A municipalização dos corredores BRT seria a saída mais honrosa para a prefeitura, até porque a licitação do setor já está batendo às portas.
A prefeitura poderia assumir a administração dos corredores, comprar uma nova frota e operacionalizar tudo, repassando depois para as novas empresas licitadas, inclusive os novos ônibus.
Isso ficaria bom para as atuais empresas, que tirariam um peso das costas e teria mais ônibus sobrando para melhorar as demais linhas, para o usuário que teria mais confiabilidade e veículos confortáveis, e para a prefeitura que sairia como “heroína”, pois teria tomado uma decisão forte e marcando presença, revertendo a negatividade atual do setor.
O investimento na compra de novos veículos poderia vir de financiamentos com menos garantias que os tais quase R$ 1 bilhão que a atual administração conseguiu para comprar 512 novos ônibus, mas abriu mão, alegando que não poderia “assumir responsabilidade” pela aquisição pois as garantias teriam que ser altas demais.
Curiosamente pediu-se um financiamento sem sequer saber como iria utilizá-lo, mostrando uma severa falha administrativa tanto da prefeitura quanto da Emdec.
Para comprar pelo menos 40 novos ônibus articulados top de linha, a cerca de R$ 2,5 milhões cada um, o investimento seria de R$ 100 milhões, ou seja, cerca de 1/10 do que estava previsto inicialmente.
Dessa forma, a prefeitura pode dar garantias muito menores que o necessário inicialmente, e depois pode ver outras formas de reaver esse dinheiro, ou então incluir como “aporte” para as empresas comprarem, algo que já acontece em várias cidades brasileiras.
No subsídio de diversas cidades as prefeituras têm feito aportes para renovação de frota, e isso tem dado certo. Se tiver vontade, a prefeitura campineira pode fazer isso.
Falta vontade, falta conhecimento e falta humildade em pedir ajuda. Enquanto isso, a população sofre.
Da Redação ODC.
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