Transição do transporte em Campinas vira prorrogação para atender interesses de empresas sem condições

O polêmico projeto de lei que quer prorrogar o atual contrato das empresas de ônibus por mais três anos insiste em um sistema que não tem o menor cabimento.

De acordo com o projeto, cujo documento é público e pode ser acessado no link https://sapl.campinas.sp.leg.br/media/sapl/public/materialegislativa/2026/453942/scan_20260313160653.pdf, a Emdec insiste no papo da “fase de transição”.

Conforme já foi relatado inúmeras vezes, a tal “fase de transição” é apenas ganho de tempo tanto por parte da Emdec quanto por parte das novas operadoras.

Porém a transição para o novo sistema independe da licitação. Não se sabe ainda o porquê que a Emdec insiste com essa conversa descabida. Parece que a Emdec esqueceu como se trabalha.

Em 2005 já foi feita uma licitação e a transição foi a mais tranquila possível, com as novas operadoras já assumindo com as novas linhas em operação e inclusive com a nova pintura do sistema.

Agora, a Emdec quer porque quer fazer tudo da pior forma possível: esperar a entrada das novas operadoras para começar a mudança. Será que já há total certeza sobre as vencedoras?

O prazo de 240 dias de transição que consta no projeto de lei enviado à Câmara também se faz descabido. A Emdec parece inflar o sistema para justificar seus prazos espúrios.

Muitas das mudanças previstas são operacionais e podem sim serem implantadas ainda no contrato antigo, pois independe da operadora. Mudança das cooperativas para as linhas alimentadoras e otimização do BRT são algumas delas.

É fato que o BRT faliu o transporte campineiro, com uma operação precaríssima e com linhas correndo na lateral, ao invés de terem sido extintas de imediato.

Alguma mudança no momento traria pelo menos mais um fôlego para todo o sistema, para aguardar a tão famigerada “transição”, que ganhou ares de “prorrogação”.

Ficou a impressão que a Emdec quer apenas prorrogar o tempo de “transição” para que as vencedoras do certame, a todo custo, tenham tempo de comprar os veículos, mesmo que velhos, para operar na cidade de qualquer jeito.

Falar em tecnologias e outras coisas não se justificam. Se a Emdec quisesse iniciar a mudança do sistema hoje, ela poderia. Não faz porque não quer.

Precisa ser verificado se há algum favorecimento político nessa licitação, pois os movimentos da Emdec estão cada vez mais estranhos e menos transparentes.

Da Redação ODC.
Leia também:
História do Transporte Ferroviário em Campinas | Capítulo 11