A Câmara Municipal de Campinas, de tempos gloriosos com políticos de grande valia e importância nacional, reduziu-se a um punhado de pessoas com interesses unicamente particulares, após a sessão desta última quarta-feira.
A Prefeitura e a Emdec alegaram que os três anos visavam dar garantia de manutenção do serviço durante o processo de transição para as novas concessionárias, que venceram o certame na B3 no mês passado.
Na prática, não é bem assim. Os três anos empurrariam o abacaxi do transporte para a próxima gestão, pois com um contrato até abril de 2029, seria muito mais fácil deixar tudo para o próximo prefeito.
Com uma gestão sofrível, Dário Saadi deverá apostar no “vale-tudo” nacional para tentar emplacar um sucessor. Nos bastidores da política campineira, corre à boca miúda que sua esposa seria essa pessoa. Por isso a mesma tem aparecido com frequência em eventos públicos.
Caso não consiga fazer seu sucessor, a bomba do transporte ficaria para uma possível gestão opositora tentar desarmar. O problema do transporte em Campinas se arrasta desde 2018 com sucessões de gestões incompetentes da Emdec, avalizado pelo Executivo municipal.
A aprovação da emenda de dois anos criou um enorme problema para a prefeitura, pois o contrato poderá ir até abril de 2028, ano eleitoral. A prefeitura terá até essa data para resolver o problema do transporte de uma vez por todas, sem passar para o seu sucessor.
O presidente da Emdec, Vinicius Riverete, tentou enrolar os vereadores com um “papo furado” de auditoria contratual, mas poucos se lembram que ele disse o mesmo há dois anos atrás, quando o atual contrato também foi renovado, porém na “surdina”.
O contrato foi renovado até 29 de abril de 2026, sem alarde da imprensa e sem show dos vereadores. Agora, com o transporte ainda pior que há dois anos atrás, a situação ficou insustentável e veio à tona. A incompetência da gestão da Emdec impediu que uma licitação coerente com a atual realidade da cidade fosse realizada, pois optou-se pela megalomania.
Com pedidos estapafúrdios, o leilão da licitação foi vencida por duas empresas de fora da cidade: uma com fortes ligações políticas com os partidos da base, e outra com composição societária sofrível, que está sob investigação do Ministério Público de São Paulo.
Já sabendo que o processo pode naufragar, o prefeito fez um vídeo recente praticamente avalizando as novas empresas, independente de qualquer coisa. Disse que “elas têm o direito de assumir”, mas não considerou potenciais irregularidades, e ainda “jogou para a torcida” dizendo que tudo é “oposição política”, mostrando estar totalmente alheio ao assunto.
Na sessão da Câmara, 26 vereadores votaram a favor do projeto de 3 anos, e à emenda de 2 anos. Curiosamente, alguns desses mesmos vereadores apareceram hoje nas redes sociais tentando se explicar.
Um deles chegou ao absurdo de fazer um vídeo dizendo que “aprovaram” o projeto, sendo que ele mesmo também votou a favor. Não quis “abraçar o rojão” e ainda se fez de desentendido.
Outros passaram vergonha na tribuna, pois criticaram timidamente o transporte para não desagradar a prefeitura. Os seis votos contrários foram todos da oposição, justamente os que criticam incisivamente as péssimas condições do transporte.
Agora, quem é da base do governo insiste em passar uma falsa imagem de “opositor” ao transporte ruim, mas faz totalmente o contrário quando estão dentro da Câmara. E a população sendo feita de boba.
O projeto irá para uma segunda votação, para ratificar os dois ou três anos de prorrogação. Agora, o papo de “transição”, é conversa fiada.
Da Redação ODC.
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