Vício em edital de licitação do transporte em Campinas beneficia fábrica de ônibus elétricos

A autorização para circulação de ônibus velhos em Campinas, mesmo com a licitação do setor, está prevista em edital, que foi publicado pela própria prefeitura.

Conforme abaixo, é possível verificar as idades máximas de veículos que podem ser usados, e logo abaixo, a cláusula que prevê autorização especial para veículos com mais de 10 e 15 anos, de acordo com a tecnologia usada.

O que causa estranheza é o tempo limite para os veículos elétricos, que é de 15 anos. Em cidades com ônibus elétricos circulando há décadas, não é assim que funciona.

A região do ABC Paulista, que tem trólebus circulando ao menos desde meados da década de 1980, ainda tem veículos do início da operação, e com boa conservação.

Em São Paulo os trólebus que cruzavam a cidade também tinham idade avançada e eram mais duráveis, por conta justamente da tração elétrica, o que não exigia as tradicionais mecânicas de diesel.

Campinas é sede de uma grande fábrica de ônibus elétricos, e isso pode fazer todo o sentido nesse contrato. Com baixa idade de desativação, as empresas precisariam comprar mais veículos semelhantes.

A Scania do Brasil participou do processo e inclusive fez questionamentos acerca da possibilidade do uso de tecnologias envolvendo gás natural como meio menos poluente.

Na Colômbia, a Scania dispõe de uma enorme quantidade de veículos articulados de motor dianteiro movidos a gás natural circulando nos vários sistemas BRT que existem por lá.

Mesmo com o interesse da Scania e com testes já realizados na Itajaí Transportes, a prefeitura está preocupada com veículos elétricos, o que atenderia diretamente aos interesses da fábrica campineira.

A fábrica foi inaugurada durante o governo Jonas Donizette, antecessor do atual mandatário do Palácio dos Jequitibás. O número de veículos elétricos exigido em edital foi diminuindo com o tempo para atender aos custos operacionais do transporte campineiro, que é altíssimo, mas a idade máxima de 15 anos chamou a atenção.

Da Redação ODC.
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