A cidade de Campinas completa 252 anos de fundação no dia de hoje. Apesar de não ser feriado municipal, como acontece em várias outras localidades, a data é bastante celebrada.
O prefeito Dário Saadi já vem fazendo uma onda de aparições públicas após ficar mais dentro de seu gabinente do que junto ao povo, aproveitando a data especial.
Campinas nasceu como um caminho de tropeiros que seguiam para Minas Gerais, e na terra instalaram pontos para descanso durante o percurso. E assim nasceu a que é conhecida como Princesa D’Oeste.
A cidade já foi muito pujante no passado, porém hoje está declinante. Com gestões precárias e focadas unicamente nas classes mais abastadas, as periferias sofrem com a indiferença da prefeitura local.
Um dos setores mais prejudicados por conta de uma dinastia que já dura 14 anos no poder é o do transporte público. Gestões incompetentes na Emdec moldaram o sistema que hoje está falido.
Por mais incrível que possa parecer, o transporte em Campinas já foi bom, mas decaiu nos últimos anos por mera incompetência política. A licitação malfadada é a maior prova disso.
O transporte público em Campinas sempre foi problemático, pois a prefeitura prioriza os empresários ao invés da população. A única vez que isso inverteu foi na gestão de Jacó Bittar (1989-1992), quando a Emdec operou como empresa de ônibus na região do Campo Grande.
Os custos de operação, ainda mais altos do que hoje, eram absorvidos pela municipalidade mas garantia um transporte de qualidade para a população, que ainda convivia com uma Avenida John Boyd Dunlop quase mortal por conta de seu asfalto ruim e pistas simples.
O esfacelamento da Emdec na gestão seguinte colocou as linhas locais nas mãos da empresa Viação Santa Catarina, que faliu seis anos depois com a chegada do transporte clandestino na cidade, uma das maiores irresponsabilidades administrativas do setor na história.
Os reflexos do transporte clandestino, que começou em 1997, são sentidos até hoje. Irresponsabilidades em nome do lucro fácil e falta de segurança são alguns dos pontos que prejudicam a população, mas a culpa de tudo isso é exclusivamente da gestão da Emdec.
Com a chegada da Emdec na gestão do transporte, as coisas ficaram pior. A espiral de declínio começou em 1995, quando a empresa assumiu efetivamente a fiscalização e organização do transporte público da cidade, em detrimento à Secretaria de Transportes (Setransp).
Desde a época dos bondes puxados por tração animal, no início do século passado, o transporte em Campinas sempre foi ruim. A chegada dos ônibus na década de 1950 não melhoraram a situação, pois eram poucos e ainda sobrepunham as redes de bondes elétricos.
A briga entre os dois modais na década de 1960 aceleraram uma piora no setor. Com apenas uma empresa de ônibus monopolizando o setor, no caso a Viação Cometa com o nome de Companhia Campineira de Transportes Coletivos, ou simplesmente CCTC, a situação ficou bastante complicada.
Atualmente muita gente tem boa memória afetiva da época da operação da CCTC na cidade, mas a frota já era ruim. Veículos reencarroçados de outros ainda mais antigos, falta de freios e colisões eram constantes.
As reclamações sobre a operação da CCTC na cidade se acumulavam na SETEC, que era a empresa responsável pela gestão do transporte até o início da década de 1980. A empresa se recusava a operar em locais sem asfalto e sem iluminação pública, amparada por uma lei municipal que dava esse subterfúgio à companhia.
Diante disso, e com a cidade crescendo de forma completamente desordenada, outras empresas começaram a operar na cidade, mas de forma paralela. A CCTC tentava combater isso, mas não queria operar em locais muito distantes, como por exemplo na região dos DICs, atendida pela Viação Campos Elíseos, e nem no Campo Grande, atendido pela mesma empresa.
No máximo, a CCTC chegava até metade da estrada do Santa Lúcia, atual Avenida Ruy Rodriguez, ainda sem asfalto, mas que tinha uma grande demanda por conta das cerâmicas espalhadas por todo o canto.
Com a licitação de 1982, as outras empresas foram devidamente regulamentadas e começaram a trabalhar em paralelo com a CCTC, que ainda ficou com as melhores e mais rentáveis linhas.
Em 1986 começou a padronização do sistema e a integração por meio de terminais de bairros, porém a frota ainda era muito velha. A Setransp, na posse de suas atribuições, decretou intervenção mais de uma vez para tentar garantir o transporte da população de forma segura.
A melhoria efetiva aconteceu apenas depois de 1989, com a renovação da maior parte da frota e com a entrada da EMDEC como empresa operadora. Após isso, foi feita apenas a manutenção e a expansão da frota de ônibus articulados.
Tudo foi posto a perder a partir de novembro de 1997, com a chegada do transporte clandestino, legalizado meses depois de forma completamente irresponsável por uma Câmara subserviente aos interesses do então prefeito Francisco Amaral.
A correção desse erro histórico começou em 2001, com uma nova renovação massiva da frota, mantida por anos seguintes e pela licitação de 2005, no governo Hélio. Até sua cassação, o transporte manteve-se íntegro e com aumento de frota constante.
O caldo entornou depois da chegada de Donizette ao poder. A renovação de frota despencou, a Emdec se tornou subserviente aos interesses das empresas e ignorou todos os sinais da população e da justiça por um novo processo licitatório, empurrando o problema para o atual governo.
A incompetência dominou a Emdec e até hoje nada foi feito para tentar melhorar o serviço, que apenas vem sendo precarizado desde a pandemia do novo coronavirus. Campinas chega aos 252 com um dos piores sistemas de transporte do país.
A esperança é de que a Justiça faça a sua parte para que Campinas volte a crescer e a ter um transporte de qualidade, pois com uma Câmara de Vereadores suberviente, secretariado de baixa performance e sem competência, a prefeitura seguirá afundando a nossa pobre cidade.
Da Redação ODC.
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