O poder da administração municipal de Campinas é muito maior do que a população tem conhecimento. Denúncias não prosperam, vereadores não tomam as providências necessárias e a imprensa local é subserviente.
As graves denúncias que cercaram a licitação do transporte coletivo urbano de Campinas acabaram ficando “por isso mesmo”. Apesar da opinião pública ter tomado um “banho de água fria”, o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado continuam trabalhando.
Recentemente a Câmara tentou ter acesso a parte do processo junto à Polícia Civil, alegando que precisava do conteúdo para dar andamento no processo contra um vereador, porém houve uma negativa.
Não é de hoje que a Câmara tenta por “panos quentes” nos desmandos da administração municipal, e isso também não é uma prática deste governo. Em anteriores a situação foi a mesma.
Tendo acesso a parte do processo, a Câmara poderia antecipar o que o Ministério Público está investigando em conjunto com a Polícia Civil, e assim tentar abafar ainda mais o escândalo.
O mais curioso é que tudo “morreu” do dia para a noite. Vários veículos de comunicação da cidade chegaram a divulgar imagens e fazer denúncias sobre agentes públicos em uma garagem de ônibus, porém de uma hora para a outra, tudo parou.
A suspeita todo mundo sabe em quem recai, cuja prática é recorrente. O dinheiro fala mais alto na hora de negociações de contratos de publicidade, e com a imprensa à míngua, qualquer resquício financeiro é lucro.
Curiosamente as denúncias pararam depois do aparecimento do nome de um terceiro vereador envolvido no caso. O corporativismo da Câmara se fechou e blindou os parlamentares. Do outro lado, a administração municipal fez a sua parte com a famosa “lei da mordaça”: quem falar mais, fica sem dinheiro.
Em paralelo a tudo isso, a incompetência corporativista da Emdec segue tratando como se tudo estivesse normal. Videozinhos nas redes sociais, fotos e eventos tentam apagar da história o maior escândalo da empresa.
A atitude da prefeitura, dos vereadores e da Emdec mostra o único interesse em tudo isso: continuar afundando o atual sistema de transporte para colocar novas empresas de exclusivo interesse político, sem qualquer qualificação técnica.
Isso, com o tempo, irá fazer o sistema fique ainda pior, pois a Emdec continua vendendo um “peixe podre” como se fosse “salmão fresco” ao dizer que a troca da frota resolverá todos os problemas. Sua própria incompetência mostra que isso não irá acontecer.
Em breve, o Ministério Público deverá trazer novidades, e é a única instituição de confiança no atual momento em meio a esse turbilhão. Vereadores, prefeitura e Emdec estão à parte de tudo isso, tensos aguardando os desfechos, mas sem qualquer preocupação com a verdade ou com a melhoria do transporte. Confiança zero.
Da Redação ODC.
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