A possibilidade de formação de cartel durante a licitação do transporte coletivo urbano de Campinas parece ter sido completamente ignorada pela prefeitura e pela Emdec.
De acordo com o documento, a prefeitura alegou que não pode-se configurar combinação prévia de preços pois “houve uma competição agressiva de preços durante o leilão”, o que não é verdade.
A tal competição agressiva citada pela procuradoria não aconteceu entre as empresas vencedoras, nem no início do leilão. Houve sim várias ofertas mas entre empresas distintas.
Durante o leilão do Lote Sul, vencido pela empresa Sancetur, o Consórcio Andorinha, que tem integrantes do consórcio vencedor do outro lote, participou apenas dos primeiros lances, abandonando logo em seguida.
Já no leilão do Lote Norte, vencido pelo Consórcio Grande Campinas, a disputa acabou acontecendo com o Consórcio MOV Campinas, já que a Sancetur fez a parte dela e não participou.
O que mais causa curiosidade é que as vencedoras foram justamente as únicas que se inscreveram para os dois lotes, abrindo a possibilidade de uma eventual falsa concorrência entre si.
No caso do grupo Smile, usou-se nomes diferentes para configurar composições distintas nos lotes: Andorinha, no lote Sul, e Grande Campinas, no Lote Norte.
Tais considerações foram completamente ignoradas pela procuradoria na resposta, porém tudo está gravado em vídeo, corroborando com a versão de possibilidade de um eventual cartel.
Se realmente houvesse interesse na operação dos dois lotes, ambas teriam participado efetivamente do leilão, o que não aconteceu. O caso foi levado ao Ministério Público para investigação.
Da Redação ODC.
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