O cerco político e jurídico contra o vereador Vini Oliveira (Cidadania) ganhou mais um capítulo na Câmara Municipal de Campinas. Enquanto o parlamentar afirma que continua internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) — situação que passou a ser fortemente contestada por divergências nas imagens divulgadas por sua assessoria —, a Corregedoria da Casa instaurou oficialmente um procedimento de apuração por quebra de decoro parlamentar devido a supostas ofensas homofóbicas.
A investigação atende a uma representação assinada pelo vereador Bene Lima (PL). No documento enviado ao Legislativo, Bene Lima relata ter tomado conhecimento de um vídeo gravado por Vini Oliveira no qual seu nome é citado expressamente de forma pejorativa. Na gravação, o parlamentar do Cidadania atribui uma conduta ofensiva a Bene Lima, envolvendo inclusive servidores de seu gabinete.
Conforme antecipado pelo portal ODC em apurações de bastidores na semana passada, o teor dessas declarações envolve insultos de caráter homofóbico. Na representação, Bene Lima classifica a manifestação do colega como “extremamente grave, ofensiva e incompatível com o padrão mínimo de urbanidade, respeito institucional e responsabilidade exigido de um parlamentar”.
Como funciona a investigação na Corregedoria
O caso agora segue os trâmites do Código de Ética Parlamentar da Câmara de Campinas e corre em paralelo à Comissão Processante (CP) que já investiga Vini Oliveira no escândalo da “caixa preta” envolvendo uma das empresas concessionárias do transporte público de R$ 11 bilhões.
Embora o rito seja diferente, as punições podem complicar ainda mais o futuro político do parlamentar:
- As Sanções: Ao contrário da Comissão Processante — que possui caráter de urgência e rito específico que pode resultar na cassação direta do mandato —, a investigação da Corregedoria foca na conduta ética. As punições previstas vão desde uma advertência escrita e a suspensão do uso da palavra durante as reuniões até o afastamento temporário do mandato por até 90 dias, com corte integral da remuneração do vereador.
- Próximos Passos: O corregedor da Câmara, vereador Carlinhos Camelô (PSB), determinou a abertura dos trabalhos e emitirá a notificação oficial ao acusado. A partir do recebimento, a defesa de Vini Oliveira terá o prazo legal de 15 dias para apresentar suas justificativas por escrito.
O labirinto de crises do “Herói dos Jequitibás”
Com o avanço da Corregedoria, Vini Oliveira agora precisa se defender em três frentes de extrema gravidade: a ação criminal conduzida pelo Gaeco e pela Polícia Civil (que realizou buscas em seu gabinete e residências), a Comissão Processante por suposta improbidade administrativa com a empresa de ônibus Smile, e o processo ético por homofobia contra Bene Lima.
Enquanto os prazos começam a correr no Palácio dos Jequitibás, a estratégia da equipe do vereador de mantê-lo sob o manto de uma internação médica sem monitoramento visível é vista por colegas de parlamento como uma tentativa de adiar o inevitável choque com a realidade das investigações.





