Mesmo após acidente, usuários de ônibus de Campinas assumem risco e continuam com braço para fora

 Mesmo após acidente, usuários de ônibus de Campinas assumem risco e continuam com braço para fora

Parte do usuário do transporte coletivo urbano de Campinas parece não ter aprendido nada com o caso da jovem que perdeu o braço em um ônibus na semana passada. Flagras de poucos minutos foram suficientes para ver como o usuário do sistema de ônibus da cidade usam os coletivos.

Ao menos três pessoas foram flagradas com o braço parcialmente para fora das janelas, o que representa um grande perigo, por mais rente que o membro esteja da carroceria do ônibus. As janelas servem para deixar entrar ou impedir a entrada de ar, apenas isso, e não como suporte para braços, por mais calor que esteja fazendo.


Justamente por conta disso, veículos com ar condicionado e janelas lacradas estão sendo trazidos para Campinas. Dessa forma, esse tipo de risco é praticamente zerado. É necessária a consciência de todos os passageiros de que qualquer parte do corpo não deve ser colocada para fora do ônibus, por isso mesmo Campinas tem todas as janelas baixas lacradas em todos os ônibus. Os coletivos que têm janelas baixas sem lacre devem ser recolhidos até que sejam travadas.

IRREGULARIDADE NA AVENIDA DAS AMOREIRAS

O serviço da mudança do corredor da Avenida das Amoreiras foi tão mal feito em alguns trechos que não conseguiu corrigir imperfeições do antigo corredor Trólebus, construído durante a primeira metade dos anos 80. No trecho onde houve o acidente com a jovem que perdeu o braço, os postes ficam rentes à calçada com total irregularidade.

Não há padrão de espaço dos postes: alguns estão perto do meio-fio, outros estão no meio da calçada e há pequenos trechos sem nada. Para piorar, o serviço de recape feito no trecho deixou o asfalto completamente torto para forçar o escoamento da água da chuva para a direita, ao invés da instalação de uma eficiente galeria de água pluvial.

Na foto abaixo é nítido o quanto o coletivo fica torto quando encosta para fazer embarque ou desembarque, prejudicando a saída do veículo do espaço. A proximidade do poste com o meio-fio é outro perigo, inclusive para caminhões.

Nesse trecho, que compreende o bairro São Bernardo até a Vila Industrial, há um desnível natural da pista, o que não teria como ser corrigido sem uma desapropriação de grande parte das casas e comércios locais. Quando o corredor Trólebus foi construído, a via foi reformada com recuo das calçadas e em desnível, deixando a pista sentido Centro mais alta que a sentido Bairro.

Porém é visível que nesse trecho a via é totalmente sinuosa, já que havia um espaço extra de ultrapassagem para os ônibus dentro do corredor, pois caso algum trólebus parasse, era possível fazer a ultrapassagem. Como não houve a implantação do sistema de ônibus elétricos, os veículos a diesel usavam o trecho para a mesma coisa. Só que agora o novo corredor BRT usa um novo conceito, com embarque à esquerda, e por isso seria necesssária uma correção da via.

Para economizar, o serviço foi mal feito e de qualquer jeito. Mantiveram o corredor de forma sinuosa e construiu-se duas estações em desnível, uma para o sentido bairro e uma para o sentido centro. Enquanto isso, os postes quase no meio da rua não foram mexidos, já que houve um estreitamento da via para os carros, ao invés do recuo das fachadas dos comércios.

O conjunto de erros nesse acidente é impressionante e inadmissível em um sistema de transporte, porém sem infra-estrutura adequada e sem o consentimento dos usuários, fica difícil fazer alguma coisa.

Da Redação ODC.

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