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O labirinto do “puxadinho” e a Operação Cobertor Curto

A linha 171 que “viralizou” nas redes sociais e achada pelo G1 Campinas não é um caso isolado; é o símbolo máximo de uma gestão que tem alergia à reestruturação. O “estica e puxa” de linhas em Campinas é tradição. Em vez de otimizar gradativamente o sistema conforme a cidade vai se expandindo e mudando, a Emdec vai remendando os trajetos. A 171 é um caso clássico, tendo virado um emaranhado de 27 km que ninguém entende.

E a desculpa da vez? “Ah, estamos esperando a nova licitação”. Ora, o TCE já colocou obstáculos no processo por suspeita de conluio, e enquanto a Polícia Civil procura o endereço das empresas, o povo continua dando voltas no mesmo lugar.

E o que realmente impede a Emdec de otimizar as linhas da cidade? Nada.

O nó da 171 vs. BRT12: a integração de fachada

Querem um exemplo da “genialidade” operacional? Olhem para a Linha 171. Ela passa pertinho do BRT Perimetral, mas parece que a Emdec colocou um campo de força entre ela e a BRT12. Não há incentivo para a baldeação.

O resultado é matemático: as estações da BRT12 no Corredor Perimetral tem pouca demanda. E como tem poucos passageiros, a frequência é baixa para um BRT.

É o ciclo da ineficiência: a pessoa não pega o BRT porque ele demora, e ele demora porque ninguém pega.

Enquanto isso, celebram 70 metros de guia na Theodureto como se fosse a inauguração do Canal da Mancha.

O “aluno relapso” e a maquiagem das garagens

Mas o ápice do absurdo aconteceu nesta quarta-feira. A Emdec iniciou uma manobra de surpresa: começou a tirar ônibus das cooperativas para “tapar buraco” nas linhas das empresas grandes em pleno horário de pico.

O motivo? O sucateamento chegou ao osso. Há garagens na cidade com mais de 40 ônibus parados. Parte está quebrada por falta de manutenção. Parte está recebendo aquela “maquiagem” básica para as vistorias da Emdec.

É igual àquele aluno que não estudou o ano inteiro e agora tenta passar com a nota mínima na base da sorte e torcendo para o professor ter dó e aprovar.

A Operação Improviso

Retirar carros das cooperativas, de surpresa, no meio do pico, para salvar as empresas é a definição perfeita de efeito cobertor curto. Os agentes da Emdec tiveram que virar “maestros do improviso”, cumprindo ordens atabalhoadas de quem parece não fazer a menor ideia do que está fazendo.

Campinas hoje é uma cidade onde o planejamento do transporte é feito na base do improviso e do “zigue-zague”. O passageiro está preso em um labirinto de 27 km enquanto os ônibus reais estão retidos em garagens.

Dica do Gilberto: Se você vir um ônibus das cooperativas mudando de rota hoje, não se assuste. Ele não se perdeu no labirinto; ele só foi recrutado para o exército da “maquiagem operacional” da Emdec.