A entrevista de Maria Giovana Fortunato não foi um bate-papo de domingo; foi um lançamento de marca. O uso de um veículo tradicional e “arcaico”, como o Correio Popular, é um movimento cirúrgico: fala direto com o eleitorado conservador de Campinas, aquele que preza pela “família” e pela “tradição”, enquanto tenta vender uma imagem de modernidade e “protagonismo”.
A estratégia do “Plano B” (ou seria Plano M?)
Também por simplesmente não haver ninguém para a sucessão darística nas próximas eleições. Ou seja…
É a velha política do “Delfim”. Quando o titular precisa de um sucessor que garanta a continuidade do grupo (e das licitações bilionárias que o TCE vive suspendendo), nada melhor que alguém que divide a mesa do jantar. O “protagonismo” citado na matéria é a senha para: “Estou pronta para as urnas”.
O contraste entre a estrela e o cenário
O cenário político que Maria Giovana pretende herdar é um campo minado. Enquanto ela é apresentada como o rosto da “ação” e do “olhar social”, os pilares da cidade estão balançando:
A Infraestrutura: O secretário Barreiro já avisou que o futuro é de lama e paciência.
A Mobilidade: O transporte é um labirinto viral e a licitação de R$ 11 bilhões é um caso de polícia e Ministério Público.
Fica a dúvida: o protagonismo dela servirá para resolver esses nós ou apenas para dar um rosto mais amigável a uma gestão que admite, com todas as letras, que a população vai “sofrer mais um pouco”?
A sucessão no retrovisor
O que vimos no Correio Popular foi o início de uma campanha de “herança política”. O prefeito tenta emplacar a mulher como a via de escape para um governo que se perdeu em convênios e obras infinitas. É o “Novo Horizonte” da família Saadi-Fortunato, pintado com as cores da assistência social para esconder a imagem da péssima gestão.
Dica do Gilberto: Se você vir a primeira-dama visitando a Mini Cidade da Praça da Concórdia, preste atenção. Lá é o laboratório perfeito: não tem Ministério Público e o “sofrimento” é em escala 1:50. É o único lugar onde uma sucessão por herança corre sem sobressaltos.
Será que o próximo passo dessa “ação e protagonismo” é um tour nas ruas de Campinas, ou a sucessão só vai acontecer em jornais falidos e clubes da elite?





