O prefeito de Campinas Dário Saadi divulgou um vídeo no último final de semana dando um prazo de 2 anos para a conclusão das obras do que está sendo chamado de “BRT Central”.
Por si só, o prazo é uma verdadeira aberração e um absurdo. O BRT no Corredor Central terá cerca de quatro quilômetros de extensão, ou seja, um tamanho 10 vezes menor que os corredores Campo Grande e Ouro Verde, e que levaram o dobro do tempo sem contar os atrasos que são praxe da Secretaria de Infraestrutura.
É fato que as obras no Centro da cidade são mais dificultosas por conta do trânsito pesado e da infraestrutura, já considerando a velha desculpa do “solo lodoso”, sempre usada para justificar qualquer atraso de obra na região.
Mesmo assim, é inadmissível um prazo tão longo para uma obra relativamente simples. Serão instalados cerca de quatro quilômetros de piso rígido de concreto do tipo “portland”, que é mais resistente, e a montagem das estações.
Configura-se um desafio maior a colocação das estações nas vias Anchieta e Orozimbo Maia por conta dos canteiros estreitos e do Córrego Serafim, o que exigirá mais cuidados e uma estrutura diferenciada para tal.
Mesmo assim não é possível considerar um prazo tão longo para tais obras. Apesar disso, não é muito diferente do que foi informado durante a campanha eleitoral de Dário em 2024.
Na ocasião, o Corredor BRT Central foi “prometido” para o ano de 2027, um ano antes das eleições municipais seguintes. Com o prazo de dois anos, a data é modificada para 2028, poucos meses antes do pleito.
O prazo excessivamente longo irá coincidir o final da obra com as eleições municipais, para que haja o que apresentar. Diante do histórico da Secretaria de Infraestrutura, não chega a ser exatamente uma surpresa.
Desde o início do primeiro mandato de Dário, a referida secretaria tem atrasado praticamente todas as obras de grande porte. Atrasou o BRT, atrasou a reforma do Mercado Municipal e atrasou a instalação dos piscinões.
Agora, as obras do BRT Central já atrasaram antes de começar, pois a própria prefeitura fez um anúncio de início e no dia seguinte já adiou, o que é inédito: atrasar a obra antes que tenha iniciado.
A questão agora é: será que com dois anos não haverão novos atrasos? Ou ainda se usará a velha e batida desculpa de que o ‘solo é pantanoso’ e que isso foi “descoberto na hora”?
Da Redação ODC.
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