Em 2001 o transporte coletivo de Campinas passou por um verdadeiro renascimento depois de períodos nefastos advindos do transporte clandestino que havia invadido a cidade.
Em novembro de 1997 a cidade amanheceu com mais de 2000 vans e peruas clandestinas fazendo praticamente todas as rotas do transporte público, tudo de forma clandestina.
Na época, a prefeitura estava nas mãos de Francisco Amaral, um político bastante carismático, mas um péssimo gestor público. Venceu a eleição praticamente por conta da incompetência na condução da campanha de sua adversária, a ex-vereadora Célia Leão.
A campanha do segundo turno foi tão de baixo nível que Célia passou quase todo o tempo atacando Amaral, que já tinha um sambinha feito pela banda Clave de Azes a seu favor. Seu carisma ajudou a juntar mais votos e vencer. Historicamente em Campinas, o candidato que mais ataca costuma perder, pois a população quer propostas.
O governo de Amaral foi um desastre em todas as áreas. A cidade ficou completamente abandonada durante quatro anos e não foi diferente no transporte público.
A cidade tinha um sistema de integração tarifária inteligente, que foi extinto para baixar a tarifa para R$ 1,00 e igualar ao que os clandestinos cobraram. Os investimentos em frota foram cortados de forma sumária.
Em quatro anos, a cidade recebeu apenas 10 ônibus zero quilômetro. A “renovação” era apenas de veículos velhos vindos de outras cidades, houve redução de frota e o que rodava começou a ser precarizado.
Quebras constantes, pane seca por falta de combustível e queda de peças eram constantes. A diferença é que não haviam as redes sociais para que tudo isso viesse à tona. A Viação Santa Catarina, que chegou a ser a maior da cidade, sucumbiu e faliu, perdendo todas as suas linhas.
Com um cenário devastador e sem expectativa de melhora no setor, Toninho assumiu a prefeitura em 2001 começando a resolver o problema. Fez exigências que foram atendidas de imediato.
Primeiramente os cobradores voltaram. O cargo havia sido extinto no governo anterior para cortar custos. A frota voltou a crescer e exigiu-se de imediato a compra de pelo menos 100 ônibus zero quilômetro para atender a um pedido das empresas para reajuste de tarifa.
O pedido foi atendido de imediato. Em 7 meses a cidade contava com pelo menos 130 ônibus zero nas ruas, e só assim a tarifa subiu. Daí para a frente, a frota voltou a ser renovada de forma escalonada e em pouco tempo tudo já tinha sido trocado.
Toninho morreu nove meses depois de assumir a prefeitura, mas deixou o legado para os sucessores. Isso prova que o transporte público hoje sucumbe unicamente por falta de vontade política e por propósitos da própria Emdec.
Não é de hoje que o ODC vem denunciando a Emdec por seus desmandos no transporte, sempre de forma proposital, a fim de avalizar a licitação furada a qualquer custo, sem pensar na população. Pedir frota nova é possível, mas a Emdec já está fechada com novas empresas de seu interesse político econômico.
E quem sofre, é a população.
Da Redação ODC.
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