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🎂 Campinas, 252 Anos: Um Brinde ao Povo que Aguenta o Tranco, as Lombadas e o Xadrez Político

Se você sintonizar a TV ou o rádio nestes dias de comemoração, vai dar de cara com a campanha oficial do Palácio dos Jequitibás perguntando com voz mansa: “Como eu cheguei aos 252 anos em forma?”. O marketing é bonito, fala em inovação, tecnologia e contato com a natureza. Mas quem chacoalha todo santo dia nos ônibus de Campinas sabe que, se a cidade está “em forma”, o condicionamento físico do campineiro é garantido na base do puro teste de sobrevivência urbana.

🏃‍♂️ O “Cardio” Diário na Cidade das Mil Lombadas

A publicidade celebra a prática de esportes, mas o verdadeiro crossfit do cidadão continua sendo a corrida de obstáculos no meio do trânsito.

  • A Maratona do Ponto: O esporte mais praticado por aqui é correr atrás do circular que passou direto ou tentar adivinhar o horário da linha provisória — uma rotina que rendeu às empresas operadoras nada menos que 25 mil multas da Emdec apenas nos primeiros cinco meses do ano.
  • A Cordilheira Asfáltica: Se o amortecedor do seu carro ou o seu joelho resistiram até aqui, você já é um vencedor. Afinal, a prefeitura transformou nossa topografia em um monumento ao calombo, espalhando quase mil novas lombadas pelas ruas nos últimos três anos. Como o secretário Fernando de Caires bem adiantou naquela sabatina no YouTube, o balcão para atender pedido de lombada na cidade voa baixo, pena que o mesmo ritmo não se aplica aos grandes projetos.

🎁 O Presente de R$ 11,8 Bilhões que Ficou no “Quase”

Todo aniversário tem presente, mas o embrulho mais aguardado da história recente da cidade continua preso na alfândega jurídica de São Paulo.
A nova licitação do transporte coletivo — um bolo monumental de R$ 11.821.066.363,74 — entrou no segundo semestre de 2026 rigorosamente congelada no freezer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP). O despacho do conselheiro Dimas Ramalho expôs as entranhas de um edital contaminado nos dois lotes por restrição de documentos, manobras no teto tarifário e falta de estudos de exequibilidade. Enquanto a base governista usou o trator na Câmara para blindar o prefeito Dário Saadi das Comissões Processantes, o “VAR” do tribunal paulista puxou o freio de mão de vez.
Para completar o pacote de obras, entramos na segunda quinzena de julho — exatamente a data prometida pelo secretário de Infraestrutura, Carlos José Barreiro, após aquele adiamento quântico de uma obra que nem sequer tinha começado. O Centro aguarda para ver se os tratores da Compec Galasso vão realmente rasgar a Irmã Serafina para jogar os R$ 16 milhões de concreto do PAC federal, naquela engenharia inusitada que faz o chão primeiro e deixa as estações do BRT para o plano espiritual. O Gilberto está com o binóculo apostado na calçada!

Conclusão: Parabéns, Minha Velha Amiga!

No fim das contas, meus caros, Campinas chega aos 252 anos gigante por natureza e imensa pela força de quem acorda cedo e faz essa máquina girar. A base governista pode até desligar o sinal da TV Câmara para esconder os debates, e as empresas de ônibus podem continuar operando no improviso de carros alugados sustentados pelo ralo dos R$ 218 milhões de subsídio. Mas a alma da cidade não está nos relatórios timbrados ou nos releases de adiamento: está no balcão, na rua, no trabalho e na cobrança que não para.
O Veredicto Especial: Parabéns, Campinas! Que o seu futuro seja costurado com mais transparência nas agendas e menos remendos no asfalto. O Gilberto hoje deixa a caneta de lado, levanta a taça de tinto campineiro e saúda cada um de vocês que divide comigo o privilégio de viver nesta metrópole. Padeiro, pode cortar o bolo, porque nossa cidade tem muita estrada pela frente — mesmo que cheia de lombadas!

O Gilberto Beaumont vai recolher o terno de festa, dar um abraço nos colegas colunistas e limpar os óculos para a semana que vem. Viva Campinas, meus caros!