Discurso inflamado de internet e tese de “perseguição da máfia do transporte” não têm o poder de barrar mandado de busca e apreensão. O avanço das investigações deixa claro que o escândalo revelado pelas imagens inicialmente publicadas com exclusividade pela TH+ Record saiu em definitivo do tribunal das redes sociais e entrou, com o pé na porta, na esfera criminal.
Do celular para as notas oficiais
A apuração — que inevitavelmente mira aquele encontro secreto na empresa de tecnologia de transportes e os misteriosos envelopes guardados na caixa preta — agora ganha o peso das provas periciais.
- O Terremoto na Câmara: Se até ontem a base governista e o Conselho de Ética andavam pisando em ovos para não transformar o parlamentar em mártir, a entrada formal do Ministério Público muda completamente as regras do jogo. Nenhum colega de plenário vai querer afundar abraçado com quem está sob a mira de um mandado judicial.
- O Silêncio das Redes: O vereador que antes publicava três vídeos por dia agora vai ter que gastar o tempo conversando com advogados criminalistas. Notas fiscais, justificativas jurídicas e a real destinação daquele montante vão ter que aparecer. Não vai dar para responder aos promotores com frases de efeito de Instagram.
A realidade não tem filtro
Enquanto o prefeito Dário Saadi e o Vinicius Riverete tentam abafar o fiasco de Fortaleza e esconder o poço profundo em que caiu a licitação do transporte, e enquanto Carlos José Barreiro reza para a lama das obras da Princesa D’Oeste secar, a já fraquíssima oposição em Campinas acaba de sofrer o seu golpe mais duro. O paladino da fiscalização, o vereador anti-sistema, agora virou o fiscalizado.
A grande pergunta que ecoa nos bastidores da cidade hoje é: o que os investigadores recolheram ao abrir os armários do gabinete e da residência do parlamentar? Seriam apenas papéis de um pseudo-dossiê contra as empresas de ônibus atuais ou o Ministério Público achou o fio da meada de algo muito mais profundo no setor de mobilidade urbana?
Dica do Gilberto: Se eu fosse os donos daquela empresa de transportes com garagem em Paulínia, colocava o café para passar e organizava os arquivos. Porque se a polícia bateu na porta do agente político logo cedo, a próxima parada da viatura tem endereço certo no mundo empresarial dos transportes da nossa região.





