O momento para essa viagem não poderia ser mais poético. Apenas dois dias após a Justiça paulista conceder uma liminar arrasadora que congelou o cronograma de recursos da licitação de R$ 11 bilhões, os nossos comandantes decidiram que o melhor lugar para debater o futuro é a mil quilômetros de distância.
“Cidades para Pessoas” (Mas qual pessoa?)
Será que o prefeito vai explicar para os secretários do resto do Brasil que a nossa maior “intervenção humana” recente foi obrigar o motorista da Princesa D’Oeste a cobrir a placa do carro com pano de prato para não ser multado por um semáforo quebrado? Ou será que ele vai usar a linha “zigue-zague” de 27 km que viralizou no G1 como exemplo de “mobilidade ativa”?
Falar em “mobilidade mais humana” longe de Campinas é fácil.
Riverete e o mistério do dinheiro sumido
Na sexta-feira, dia 29 de maio, será a vez do presidente da Emdec, Vinicius Riverete, brilhar como mediador do painel: “Como e onde buscar recursos financeiros para promover políticas públicas de mobilidade urbana no Brasil”.
Essa a gente queria ser um pernilongo pra entrar no evento e assistir de camarote.
Talvez ele leve para discussão como achar mais de R$ 200 milhões de subsídio anual para as empresas de ônibus e ver o serviço decair como um barril descendo um barranco.
Ou talvez ele leve como a Emdec está sendo sucateada lentamente, com falta de recursos humanos, para conseguir comprar mais e mais semáforos.
O palanque nacional e a herança dos Jequitibás
O release destaca orgulhosamente que o prefeito lidera uma campanha nacional pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) para redução de sinistros. Essa projeção nacional é o combustível perfeito para a engrenagem política que o Palácio dos Jequitibás está montando.
Como as más línguas já entregaram, essa pressa em criar uma imagem de “gestor da mobilidade premiado” serve como cortina de fumaça para o projeto sucessório da nova primeira-dama, Maria Giovana Fortunato. Eles usam as páginas dos jornais arcaicos da cidade para tentar emplacar a esposa do prefeito como a herdeira da “Cidade Inteligente”. Só esqueceram de avisar o eleitor de que a herança é uma malha de transporte sucateado e judicializada, parada no Tribunal de Justiça e sob investigação de conluio no TCE-SP.
Tragam uma rede de descanso
Campinas virou uma cidade que funciona perfeitamente nas teses acadêmicas e nos painéis de conferência; pena que a cidade da vida real é bem diferente do panfleto.
Dário Saadi e Vinicius Riverete vão trocar experiências valiosas no Ceará. Só espero que eles tragam na bagagem algumas redes de descanso bem fortes para dar aos passageiros dos terminais de Campinas. Porque, do jeito que a Justiça travou os recursos dos R$ 11 bilhões, a espera pelo novo transporte vai ser longa.





