Consórcio “corta” R$ 412 milhões em custos de combustíveis e pneus para encaixar proposta na licitação de Campinas

A defesa que a prefeitura de Campinas tem feito das empresas vencedoras da licitação de Campinas continua chamando a atenção. O caso do Consórcio Grande Campinas também é tão curioso como da Sancetur, divulgado ontem pelo ODC.

A redução de custos operacionais para poder chegar ao valor dado em lance no leilão realizado na B3 foi bastante curiosa. No caso do consórcio, foram 19,3% de desconto.

Esse desconto foi bastante agressivo porém considerado elevado para concessões urbanas de ônibus, pois normalmente descontos acima de 15% exigem ganhos operacionais muito relevantes.

Como a operação campineira já é naturalmente deficitária por conta da ingerência da Emdec, os ganhos operacionais relevantes podem ser apenas uma enorme miragem a longo prazo.

Já os custos de combustível também foram cortados, desconsiderando oscilações nos valores, o que contraria os limites mínimos aceitos pela ANTP. Os custos operacionais foram cortados em R$ 412 milhões, algo que nem empresas de grande porte conseguem fazer.

A economia de frota foi focada nas vans do sistema PAI: R$ 57 milhões a menos, com comprovações estranhas advindas de notas fiscais apresentadas com valores abaixo do edital.

Com uma frota caindo aos pedaços no sistema escolar, fica estranho o Consórcio garantir uma “eficiência operacional” com cortes em combustível e manutenção, além de consumo de energia.

Caso as empresas tivessem realmente uma operação de excelência no escolar, conforme comprovado documentalmente, a viabilidade de tal seria exequível, mas a prefeitura segue passando pano sem diligências.

Isso deixa claro que o edital pode ter sido direcionado, uma vez que a taxa de retorno exigida era de um limite mínimo de 7%, algo já bastante precarizado frente ao sistema campineiro.

As empresas vencedoras chegaram a algo perto de 8%, também muito precário, mas a Emdec (ops, “Comissão de Licitação”) garantiu que “está tudo certo”. Faltam ainda documentos comprobatórios adicionais, que não foram exigidos pela municipalidade.

Campinas caminha para mais um sistema de transporte precário e falido, com a assinatura da gestão Riverete-Caires.

Da Redação ODC.
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