História dos Transportes em Campinas | A região do Ouro Verde (Capítulo 31)

No ano de 1997 a cidade passava por mudanças no transporte e um sistema de integração foi implantado pela primeira vez, depois da chegada da bilhetagem eletrônica.

Os cartões começaram a serem distribuídos em 1995 em paralelo aos passes de papel que ainda circulavam, até serem extintos em definitivo. Os cobradores faziam a liberação das catracas com cartões de serviço.

Tudo parecia que iria caminhar bem, até que em novembro de 1997, de um dia para o outro, a cidade se viu invadida por mais de 2 mil vans clandestinas circulando em várias linhas.

Na região do Ouro Verde, praticamente todos os bairros ganharam de imediato linhas clandestinas de transporte para o Centro e outros locais da cidade. De início, a população gostou.

Com a integração, os ônibus estavam cobrando tarifa de R$ 1,15, e as chamadas “peruas” cobravam apenas R$ 1,00. Além de serem mais rápidas, a tarifa atraiu rapidamente a população.

As empresas de ônibus da época sentiram o baque e começaram a perder passageiros. Na mesma medida, os investimentos no setor imediatamente pararam. A integração foi extinta e a tarifa voltou para R$ 1,00, para concorrer diretamente com os perueiros.

Meses depois o serviço clandestino foi legalizado pela prefeitura e virou “alternativo”. As empresas e os funcionários do setor reagiram e várias greves foram deflagradas até o final do mandato de Chico Amaral. A maior delas durou 10 dias, com apenas coletivos das empresas Rápido Luxo e Bortolotto operando. O resto ficou tudo nas garagens. As peruas seguiram transportando toda a demanda, de qualquer jeito. Até carros velhos particulares entraram na onda.

O transporte ficou muito prejudicado nesse período, tanto que a empresa URCA chegou a receber um lote de novos ônibus articulados equipados com TV e rádio FM. Meses depois os mesmos foram retirados. Oficialmente, a justificativa foi a queda na demanda.

Um ano antes, em 1996, foi implantado o Projeto Rótula no Centro, com o direcionamento do fluxo em uma mão só nas avenidas Moraes Salles, Irmã Serafina, Anchieta, Orozimbo Maia e Senador Saraiva.

Nisso, o Terminal Ouro Verde ganhou uma nova linha de ônibus, a 5.80, como “Circular Rótula”. Logo passou a ser uma das linhas mais demandadas da região, com grande fluxo.

Os perueiros também faziam linhas circulares pela Rótula e os trajetos com ponto final no Terminal Central paravam na Rua José de Alencar, ao lado do atual Restaurante Bom Prato.

Para concorrer diretamente com as peruas, as empresas de ônibus compraram micro-ônibus e relançaram o sistema seletivo com o mesmo preço do ônibus (1 real), mas com ar condicionado e poltronas almofadadas. 32 desses micros foram para a empresa URCA operar em algumas linhas mais críticas.

As coisas se acomodaram apenas depois de 2001, com a chegada do prefeito Toninho ao poder. Até lá, a frota já estava bastante velha e reduzida. E os perueiros nadando de braçada.

No próximo capítulo, veja como se deu a organização dos perueiros na região.

Da Redação ODC.
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