Internado em hospital? Overdose de dipirona? O que aconteceu com Vini Oliveira?

A imagem compartilhada pela assessoria do vereador Vini Oliveira (Cidadania), dizendo que estava em uma cama de hospital internado após publicar um vídeo dizendo que já havia tomado 10 cápsulas de dipirona no dia anterior e que a “vida corria risco”, levanta uma questão muito simples: até que ponto se vai para conseguir atenção nas redes sociais?

Na semana passada, uma reportagem da TH+ Record mostrou imagens de câmeras de segurança internas da empresa Smile, em Paulínia, visitada pelo vereador. Lá, uma pasta preta é entregue. O que tem dentro? Isso nunca foi divulgado oficialmente. O vereador, então, demorou quase 18 horas para publicar um vídeo no Instagram dizendo que eram pendrives com informações importantes para serem levadas ao Ministério Público sobre o processo licitatório de Campinas. Dias antes, importante dizer, o vereador “descobriu a América” ao dizer que a Expresso Campibus vem, na verdade, da antiga VBTU. Isso nunca foi uma novidade e já era extremamente conhecido de quem é mais atento ao transporte de Campinas. Nas próprias redes sociais que o “consagraram” (com muitas aspas) e o levaram à Câmara, mensagens pesadas de que o conteúdo da pasta se trata de propina e até chocolates de marca duvidosa começaram a surgir. A equipe do vereador, que provavelmente nunca trabalhou tanto como agora, correu para apagar todos os comentários “maldosos” e bloquear todas as pessoas que ousavam falar mal do “heroi dos Jequitibás”.

No fim de semana, um vídeo feito em um hotel de Campinas colocou um pouco mais de lenha nessa fogueira. Vini aparece visivelmente alterado, dizendo palavras desconexas, como “vão tirar minha vida”, e dizendo que está tomando comprimidos de dipirona de forma alucinada. Já teria tomado 10 até a gravação do vídeo, 11 com o que ele supostamente ingeriu.

Agora fatos médicos: Uma superdosagem de dipirona pode resultar em intoxicação severa, manifestando-se através de sintomas como náuseas intensas, vômitos, queda acentuada da pressão arterial, vertigem e insuficiência renal. Em situações críticas, o quadro pode evoluir para coma ou parada respiratória. Além disso, reações alérgicas graves, como o choque anafilático, representam um risco de morte imediato que exige intervenção médica urgente.

O vereador não parecia alérgico, senão as primeiras reações já teriam sido sentidas logo na primeira cápsula.

Todas as publicações vieram com diversas falas que “a máfia quer acabar com ele”, se colocando em posição de vítima imaculada.

Um dos assessores do vereador chegou a publicar um vídeo mostrando um ceu escuro, onde seria teoricamente o hospital onde o vereador estaria internado, pedindo para que a gravação dele tomando os remédios parasse de ser compartilhada. Ué. Mas não é justamente com esse compartilhamento de vídeos que, muitas vezes, ultrapassam os limites do bom senso que a “reputação” do vereador foi construída?

Nesta segunda-feira, a imagem publicada pela assessoria do vereador dele em uma cama hospitalar, dizendo que estava em UTI, levantou mais dúvidas do que certezas. Em uma Unidade de Terapia Intensiva, o paciente é imediatamente conectado a diversos aparelhos que monitoram batimentos cardíacos, oxigenação e outros sinais vitais. Nada disso aparece na imagem. Há até mesmo uma tomada sem uso ali no canto, se você reparar bem.

Mesma segunda-feira, aliás, que a Câmara aceitou pedido de Comissão Processante contra Vini por causa da “pasta preta” da Smile. Paulo Haddad será o presidente, com Otto Alejandro como relator e Dr. Yanko como terceiro membro.

O ODC sabe que existe um segundo combustível que pode ter provocado essa reação. O vereador estava sendo ameaçado por causa de falas homofóbicas contra outro vereador, em circunstâncias que ainda não temos exatamente claras –por isso a preservação do nome do outro vereador envolvido.

Não é a primeira vez que Vini diz que passou mal após ter o nome envolvido em algum escândalo. Quando ainda nem havia assumido a cadeira da Câmara de Vereadores, ele gravou uma abordagem pouco ortodoxa que fez a um funcionário da Rede Mário Gatti. Meses depois, após a posse, a Câmara abriu uma Comissão Processante, mas acabou por arquivar o processo. Só que, antes disso, Vini alegou que passou mal vários dias, além de negar o fato (que estava gravado em vídeo e espalhado amplamente pelas redes sociais). Meses depois, a Justiça mandou apagar a gravação.

IMPORTANTE: É claro que não somos médicos psiquiatras e psicólogos para atestar a condição de saúde mental de uma pessoa. A demonstração de quadros depressivos e psicóticos pode se dar de diferentes formas. Por isso, a ajuda profissional é mais que recomendada em situações como essa.

Mas, aqui há sinais muito evidentes de uma manipulação de narrativa e banalização dos efeitos de saúde mental. Se o vereador é uma pessoa pública, o mínimo que se deve informar é qual hospital ele está internado, certo? Não querer “abrir o jogo” sobre o que causou o tal surto é compreensível em alguma parte, então pode ser relevada.

Agora, o que não pode é, toda vez que o vereador for achincalhado por atitudes que parecem ser incorretas, se fingir de doente e que teve um surto. Aí é prestar (mais um) desserviço. Como tantos outros que ele faz.