Um novo vídeo foi divulgado pelo Jornal Correio Popular na manhã deste último sábado, piorando ainda mais a situação da licitação do transporte coletivo urbano de Campinas.
No vídeo, um diretor financeiro da Emdec foi visto saindo da garagem da empresa Smile/Rhema com um pacote ainda sem identificação de seu conteúdo interno.
O ODC vem denunciando os problemas da licitação há meses, e foi o primeiro veículo a apontar os tentáculos da possível rede de corrupção envolvendo uma empresa vencedora do certame e agentes públicos.
O site Diário do Transporte, do jornalista Adamo Bazani, desmentiu a Emdec na semana passada ao consultar a Polícia Civil sobre o âmbito das investigações e das diligências realizadas em Campinas e em Paulínia, envolvendo um vereador.
A Emdec insiste em afirmar que a “licitação não é objeto de investigação”, porém a própria Polícia Civil desmentiu isso em matéria no site supracitado.
Para piorar ainda mais a situação, a Emdec afirmou que o tal diretor já foi desligado da empresa. A pressa no desligamento pode favorecer ainda mais investigações sobre as denúncias de pagamento de propina. Como se desliga alguém imediatamente sem saber as reais razões? Se o mesmo já foi desligado, como fica a contaminação de suas atitudes dentro do certame?
O áudio no vídeo mostra o dono da empresa de ônibus, que faz parte do Consórcio Grande Campinas, dizendo que deverá assumir Campinas “por uma via ou por outra”, indicando que seria via judicial ou de outra forma, deixando subentender-se que poderia haver corrompimento de agentes.
Os R$ 30 mil em espécie encontrados na sede da empresa são mais um indicativo de sérios problemas não apenas com o vereador já sob investigação da Câmara, mas problemas também com a Emdec.
A equipe do ODC está concluindo a análise de documentos da licitação e mostrará várias inconsistências que foram aprovadas pela Emdec, mesmo sem qualquer critério técnico legítimo.
Não é de hoje que a prefeitura quer colocar “na marra” as empresas vencedoras do leilão, e o ODC foi o primeiro veículo a indicar inconsistências e incapacidade operacional de uma das vencedoras.
Vários problemas em documentos e em números apresentados à Emdec já seriam suficientes para a desclassificação, mas com os agentes trabalhando em prol da empresa, por motivos que a Polícia e o Ministério Público deverá esclarecer em breve, o erário público fica sob risco.
Além de tudo isso, os integrantes da empresa vencedora da licitação, insinuaram que poderiam “conversar” com o cunhado do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado que está cuidando da denúncia no âmbito do certame.
Isso pode explicar vários problemas nos apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado. Na última resolução, uma verdadeira “lambança” de sociedades foi feita e misturou casos diferentes, tentando justificar problemas com outros casos totalmente distintos.
De acordo com análises da equipe do ODC, tal decisão visa dar mais chances para a prefeitura de Campinas responder de forma “leve” e se livrar do problema, liberando o certame. Além disso, o próprio TCE já emitiu documento que os “problemas do certame” devem ser resolvidos pela prefeitura, antes de levar o caso para outras instâncias, no caso o TCE.
O problema em tudo isso é que a prefeitura e a Emdec viraram suspeitas diante das sucessivas denúncias de corrupção feitas pela imprensa local. Se há a suspeita, a prefeitura pode não ser mais competente para fazer apontamentos de problemas no certame, tampouco a Emdec.
São cada vez mais escândalos sendo divulgados e a Emdec tentando “se descolar” do problema, de forma falha.
Da Redação ODC.
Leia também: “Propinoduto” de empresa vencedora de licitação pode explicar análises frágeis e às pressas da Emdec





