“Propinoduto” de empresa vencedora de licitação pode explicar análises frágeis e às pressas da Emdec

O “Rhemagate”, escândalo que acabou com qualquer possibilidade de lisura na licitação do transporte coletivo urbano de Campinas, está tendo seus tentáculos investigados.

A Polícia Civil encontrou R$ 30 mil em espécie na sede da Smile, empresa do mesmo grupo da Rhema, que venceu o leilão da licitação. A suspeita é de que o dinheiro seja usado para corromper agentes públicos.

A análise documental da licitação feita pela equipe do ODC mostra uma série de erros graves e inconsistências que beneficiam diretamente a Rhema e as suas empresas consorciadas.

Em uma reportagem publicada na última quarta-feira, o ODC expôs vários pontos que mostram que a Emdec tomou decisões completamente equivocadas em relação à habilitação da empresa.

O ODC é o primeiro veículo de imprensa a denunciar as irregularidades evidentes no processo licitatório bilionário do transporte coletivo urbano de Campinas.

Desde a entrega de documentos, ainda antes do leilão na B3, que o ODC vem fazendo diversos apontamentos pois já havia verificado os problemas envolvendo as empresas participantes do certame.

Alheia a tudo isso, a Emdec disse, de forma errônea, que as investigações não tem ligação com o processo licitatório, e sim uma das empresas vencedoras do leilão, praticamente se isentando de qualquer culpa.

Tal posicionamento piora ainda mais a situação da própria Emdec, pois ela não quer assumir a responsabilidade de seus próprios erros, além de indicar um possível envolvimento no caso.

Quando as explicações são excessivas, a desconfiança aumenta. Nos documentos analisados pelo ODC, há muita tentativa de esclarecimento sobre certas coisas que não tem o menor cabimento.

Uma delas é tentar avalizar os endereços das empresas do Consórcio Grande Campinas, cujas inconsistências foram levadas ao Ministério Público para análise. A própria Emdec avalizou e disse que “está tudo certo”, por mais absurdo que os erros apontados pelas diligências sejam.

A questão agora é saber se algum agente público da Emdec ou da Prefeitura de Campinas recebeu parte desse dinheiro encaminhado pela empresa de ônibus, pois até o momento apenas um vereador foi apontado no esquema.

As análises mal feitas e a pressa da prefeitura em homologar o processo corroboram com a suspeita de corrupção envolvendo a empresa vencedora do certame. Cabe agora às autoridades fazerem as investigações e verificar até que ponto esses tentáculos alcançaram o poder público.

A partir de segunda-feira o ODC vai publicar uma série de reportagens mostrando todos os erros da Emdec e as inconsistências na documentação da licitação. Fiquem atentos! Sempre a partir das 10h.

Da Redação ODC.
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