Prefeitura só divulgou diligências policiais na licitação após decisão do TCE; Situação estava sendo escondida

Após a divulgação da decisão do Tribunal de Contas do Estado, na manhã da última sexta-feira, impedindo a homologação das empresas vencedoras da licitação do transporte coletivo urbano, a prefeitura de Campinas rapidamente decidiu dizer o que está fazendo a respeito.

Não é de hoje que o ODC está pedindo para que a prefeitura se pronunciasse a respeito do certame, pois o prazo de análise documental já está vencido, de acordo com o próprio edital do processo.

De acordo com o edital, o prazo para a análise de documentos era de 30 dias, prazo este que já está expirado. Do alto de seu salto, a prefeitura, em conjunto com a inerte Emdec, informaram que “não há prazo para essa etapa”.

Na verdade, a prefeitura não quis dizer que o processo estava sob investigação, por isso que o prazo passou a ser inexistente, e não porque a análise estava sendo feita de forma criteriosa.

Ultimamente as notas divulgadas pela municipalidade tentam mais desinformar do que mostrar a realidade dos fatos. As tais diligências em conjunto com a Polícia Civil estão acontecendo por conta de suspeitas de irregularidades no processo.

Em nenhuma nota isso foi dito. Há dois processos andando em paralelo: esse do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que já teve um parecer parcial inicial, e um do Ministério Público, que ainda está em fase inicial e em sigilo.

Quando ocorrem diligências policiais, não são por livre e espontânea vontade da prefeitura, como a nota divulgada na sexta tentou induzir a imprensa. Isso aconteceu no âmbito de um dos processos supracitados.

Como o processo no Ministério Público está em sigilo, não é possível saber em que pé está, porém se houve diligências para investigar as empresas envolvidas no certame, significa que algo está sendo feito nos bastidores.

Além disso, o consórcio investigado por suspeitas de irregularidades contratou uma assessoria de imprensa para se defender das acusações que estão sendo publicadas quase que diariamente na mídia. Em notas, a assessoria informa sempre que está “tudo regular” e que a “justiça será feita”.

Tais respostas são padrões em processos desse tipo. A questão principal é: por quê só agora que o cerco está se fechando é que a prefeitura resolveu divulgar que as diligências foram feitas? Por quê ocultaram isso da população por tanto tempo?

Quanto mais o processo fica oculto, mais suspeitas são levantadas sobre a falta de lisura de uma licitação de mais de R$ 11 bilhões.

Da Redação ODC.
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