A cortina de fumaça das redes sociais e as justificativas apresentadas pelos advogados de defesa não foram suficientes para barrar o avanço das investigações na Câmara Municipal de Campinas. Em reunião realizada no final da manhã desta quinta-feira (2), a Comissão Processante (CP) decidiu, por unanimidade, dar continuidade aos trabalhos que apuram as infrações político-administrativas cometidas pelo vereador Vini Oliveira (Cidadania).
Os integrantes do colegiado — composto por Paulo Haddad (PSD, presidente), Otto Alejandro (PL, relator) e Dr. Yanko (PP) — aprovaram integralmente o parecer emitido por Alejandro. No texto, o relator foi categórico ao derrubar as teses defensivas e ressaltar a seriedade das denúncias:
“Apesar dos argumentos da defesa, os indícios levantados pela denúncia, em seu contexto, demandam um aprofundamento das investigações. (…) O prosseguimento se dá em face da gravidade dos indícios apresentados e da necessidade de esclarecimento dos fatos.”
Alejandro ponderou ainda que a sequência do rito é fundamental para que a instrução processual ocorra em sua plenitude. Segundo ele, a produção de todas as provas possíveis garantirá o contraditório e a ampla defesa, permitindo que os fatos que envolvem o parlamentar sejam integralmente esclarecidos para a população campineira.
O cerco se fecha: busca por vídeos e definição de oitivas
Com a rejeição do arquivamento, o caso sai da fase burocrática e entra na etapa prática de coleta de provas. A Comissão Processante deve se reunir novamente em breve para traçar o cronograma dos próximos passos.
A prioridade do colegiado será a solicitação formal de materiais cruciais para o processo, com foco especial na íntegra das imagens de câmeras de segurança da empresa Smile, em Paulínia — que flagraram a polêmica entrega da pasta preta contendo conteúdo até hoje não esclarecido oficialmente. A CP deve requisitar tanto as gravações veiculadas pelas reportagens da imprensa quanto os arquivos que estão em posse do Gaeco e da Polícia Civil, autoridades que também investigam criminalmente o parlamentar por suposta ligação com empresas da bilionária licitação do transporte público de R$ 11 bilhões.
Além do material audiovisual, a comissão definirá a lista de testemunhas que serão intimadas e o calendário das oitivas.
O relógio corre rumo ao julgamento final
Como a notificação pessoal do vereador foi realizada com sucesso no dia 16 de junho — logo após o parlamentar reaparecer publicamente e desmontar a narrativa de que estava em estado crítico em uma UTI —, os prazos legais seguem inalterados.
A Comissão Processante tem o limite estrito de 90 dias para concluir todas as investigações, colher depoimentos e redigir o parecer definitivo. O relatório final, que trará o veredito dos membros recomendando ou não a cassação do mandato de Vini Oliveira, deverá ser apresentado e votado pelos 33 vereadores em Plenário até o dia 15 de setembro, em uma Reunião de Julgamento convocada exclusivamente para este propósito.
Paralelamente à iminente investigação da CP, Vini Oliveira ainda terá de responder nos próximos dias ao processo por quebra de decoro e homofobia que tramita contra ele na Corregedoria da Casa, movido pelo vereador Bene Lima (PL). A fase das desculpas virtuais e das narrativas de perseguição política parece ter perdido completamente o fôlego diante da união do Legislativo para apurar o caso.





