Campinas prepara “arapuca” para transporte atual com contrato básico e tentar avalizar novas operadoras na marra

A prefeitura de Campinas prepara uma verdadeira arapuca para as atuais operadoras do transporte coletivo urbano de Campinas. Com o objetivo de afundar ainda mais o sistema para avalizar a entrada de novas empresas, a prorrogação do contrato pode ser pior para todo mundo, menos para a Emdec.

Ao invés de focar nos termos da prorrogação, com exigências que visem a melhora do serviço, que hoje está muito ruim, espera-se mais uma vez o mínimo do mínimo.

Mesmo sendo um contrato de prorrogação, com cláusula que prevê encerramento antes do final, é possível fazer exigências, mesmo que mínimas, visando a qualidade do transporte para a população.

A renovação de ao menos parte da frota poderia ser solicitada. De acordo com informações obtidas pelo ODC junto a interlocutores, isso deverá ser solicitado de forma informal, fora do contrato.

Por mais que seja um contrato, de certa forma, temporário, a Emdec tem vários caminhos que podem ser usados para que o transporte melhore de forma significativa.

A questão que fica cada vez mais clara é que há um interesse geral dentro da prefeitura em inserir as vencedoras do leilão a qualquer custo, mesmo que sejam encontradas irregularidades.

Em uma das vencedoras, o Ministério Público segue com uma investigação que está em sigilo. No Ministério Público de Contas há outro procedimento em andamento, advindo de uma denúncia junto ao Tribunal de Contas do Estado.

Mesmo assim, o prefeito Dário Saadi deu a entender em um de seus vídeos nas redes sociais que todas as novas empresas deverão assumir os contratos bilionários da prefeitura. “As vencedoras têm o direito de assumir”, disse Dário em uma parte do vídeo, desconsiderando qualquer possível irregularidade no processo.

Com uma nova prorrogação nos mesmos termos do contrato atual, o transporte tende apenas a piorar, o que é um prato cheio tanto para a inerte Emdec, quanto para os chamados “influenciadores”, incentivados pelo próprio poder público, de forma velada, a escrachar o sistema e tentar avalizar o novo processo licitatório a toque de caixa.

Enquanto o poder público se faz de cego, praticamente com zero exigências, o transporte afunda cada vez mais e joga a população contra as atuais operadoras, para depois se passar como “heroína” de um novo sistema que poderia mudar desde já.

O jogo é político sim, como disse Dário em seu vídeo sobre o transporte, mas quem faz isso é a própria prefeitura, e não os “opositores”, como disse o chefe do executivo. Como praxe dessa administração, a culpa é de todo mundo, menos da prefeitura e sua péssima gestão.

Os vereadores? Como sempre dormindo e se fazendo de vítimas, com vídeos patéticos tentando justificar os votos a favor do projeto de prorrogação da prefeitura e montagens cada vez mais estapafúrdias.

Da Redação ODC.
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