O show de horrores em Fortaleza: o dia em que o marketing de Campinas ficou sem combustível

Meus caros, nos dias 28 e 29 de maio, Fortaleza sediou a 125ª Reunião do Fórum Nacional de Mobilidade Urbana da ANTP. Mas enquanto o marketing oficial da Vila Industrial tentava vender uma imagem de puro protagonismo técnico, quem assistiu à transmissão ao vivo testemunhou um verdadeiro fiasco.

Os comunicados da Vila Industrial falavam em “resiliência” e “liderança nacional”. Mas quem sintonizou a live do evento testemunhou uma dinâmica digna de esquete humorística de fim de noite. O prefeito Dário Saadi e o presidente da Emdec, Vinicius Riverete, conseguiram a proeza de parecer dois legítimos jacus perdidos na capital alencarina.

O ataque de tiozão pelo diesel e o tapinha de consolo

O primeiro grande momento de vergonha alheia aconteceu quando Dario subiu o tom da voz de forma descontrolada para reclamar que o preço do óleo diesel está batendo na casa dos R$ 6 a R$ 7. Exaltado, ele confessou que a sua equipe passa mais tempo refazendo planilha de custos e calculando o rombo do subsídio do que cuidando dos funcionários.

O vexame só não foi maior porque o prefeito demorou a perceber que o representante do governo federal estava sentado bem ao seu lado. Quando a ficha caiu, a cena foi constrangedora: Dario deu um tapinha nas costas do técnico de Brasília e soltou uma amenidade forçada para tentar consertar o estrago. Parecia aquele tiozão turrão se desculpando após passar da conta no almoço de domingo.

A armadilha dos indicadores: Campinas ia ficar devendo

No meio do seu habitual zigue-zague retórico, o prefeito resolveu defender com unhas e dentes que os repasses de recursos federais para o transporte deveriam ser rigidamente vinculados a “indicadores de qualidade e eficiência”. Ele jurou de pés juntos que é “totalmente favorável” a essa cobrança.

O Gilberto analisa: Se o Palácio do Planalto levar a proposta do Dadá a sério, Campinas está lascada. Se o critério de repasse for qualidade, a nossa cidade não ganha um centavo e ainda fica devendo para a União.

O baile de BH e a grosseria da matriz energética

Não satisfeito com o climão com o governo federal, Dario resolveu mirar nos colegas prefeitos. Ao criticar o fato de o incentivo para a mudança da matriz energética (os ônibus elétricos) vir por meio de financiamento do PAC, ele foi de uma indelicadeza atroz.

O prefeito de Campinas insinuou abertamente que quem pega esse empréstimo — como o município de Belo Horizonte — está deixando de fazer o básico, sacrificando a construção de postos de saúde, escolas, pontes e pavimentação para poder comprar 100 ônibus elétricos. Ele cravou que não ia “financiar esse pacote” porque preferia investir nos setores essenciais.

A resposta do prefeito de Belo Horizonte foi um verdadeiro passeio de diplomacia e competência técnica. Com um sorriso tipicamente mineiro, ele quebrou o tom ríspido de Dario usando o nosso maior patrimônio:

  • A Ironia Fina: Lembrou a piada de que o governo federal estava com “a faca e o queijo na mão” e disparou: “Queijo é com a gente… o senhor pode ir só com a faca, o queijo é com a gente”.
  • O Banho de Gestão: Emendou afirmando que Belo Horizonte passou anos se estruturando e se planejando para esse momento, e que a cidade já está “preparadíssimos” para absorver os recursos.

Enquanto Dario usou o microfone para justificar o próprio medo e a incapacidade de Campinas em avançar na frota verde, BH deu um show de governança, provando que quem tem a casa arrumada não precisa escolher entre um posto de saúde e um ônibus moderno.

O sequestro do painel Humano e a fuga estratégica

O momento mais bizarro, contudo, ficou reservado para o painel temático cujo título era “Cidades para pessoas – Mobilidade mais Humana”. Convidaram especialistas em tecnologia, como o Paulo Fraga do Cittamobi, para debater como humanizar a experiência de quem se desloca pelas calçadas e terminais.

Mas o Dario resolveu que o painel era sobre ele. Ele confiscou a palavra e gastou todo o seu tempo de fala discorrendo de forma radical sobre estatísticas de acidentes e mortes. Para justificar o desvio de tema, resolveu contar que é médico urologista e que trabalhou anos como emergencista no Hospital Municipal de Campinas.

O Gilberto resume: O painel era sobre humanização, acessibilidade e conforto, mas o prefeito transformou o debate em um plantão de pronto-socorro e traumas de trânsito. Todos em volta ficaram com cara de cachorro que caiu do mudança, assistindo a pauta ser completamente destruída. E o grand finale? Dario falou tudo o que queria, levantou da cadeira e saiu vazado no meio do painel! Foi só o nosso prefeito ir embora para que os outros debatedores conseguissem, finalmente, colocar o debate de volta nos trilhos da mobilidade humana.

O mea culpa desastrado do “Vivi”

Para fechar o combo da comitiva de brinquedo, o presidente da Emdec, Vinicius Riverete, resolveu usar o seu espaço de fala para fazer um mea culpa público que saiu muito pior que a encomenda.

No meio do debate com autoridades nacionais, Vinicius pediu desculpas formais. O motivo? Ele admitiu que, quando organizaram o Fórum Paulista na cidade de Campinas, a Emdec simplesmente esqueceu de convidar os representantes do Fórum Nacional. Entre risinhos amarelos, ele brincou dizendo que levou uma bronca tão grande que “só não foi demitido por pouco”.

Uma cena totalmente desnecessária.

Conclusão: o PowerPoint não aguenta o streaming

Os releases da Emdec juram que Fortaleza aplaudiu a gestão de Campinas. Mas a lente da transmissão ao vivo mostrou a realidade nua e crua: uma liderança municipal que atua na base do grito com o diesel, da indelicadeza com outros prefeitos e do esquecimento burocrático em eventos oficiais.

Eles voltam trazendo na bagagem muitos discursos bonitos sobre metas para 2032. Mas aqui no asfalto real, a licitação de R$ 11 bilhões continua congelada pelo Tribunal de Justiça por falta de transparência e o principal fiscal da oposição está enrolado com envelopes guardados em caixas pretas. O teatro de Fortaleza ruiu, e os dois jacus estão de volta ao ninho.