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      Como a obesidade pode contribuir para o câncer colorretal

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      A obesidade é uma doença que afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, sendo 650 milhões de adultos, 340 milhões de adolescentes e 39 milhões de crianças, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Segundo a organização, no Brasil, existem cerca de 41 milhões de pessoas acima do peso, correspondendo a 26% da população do país.

      Estudos indicam que a má alimentação, a falta de atividades físicas e excesso de peso são fatores de risco para os diversos tipos de câncer. O câncer colorretal é a segunda forma da doença que mais mata, apenas perdendo para o câncer de mama. 

      De acordo com o Ministério da Saúde, possuir história familiar de câncer intestinal, idade igual ou acima de 50 anos, excesso de peso corporal e alimentação desequilibrada são os principais fatores relacionados ao desenvolvimento do câncer colorretal. Além deles, o consumo de alimentos ultraprocessados, consumo excessivo de álcool, consumo e ingestão excessiva de carne vermelha, também aumentam o risco para este tipo de câncer.

      Segundo os dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), os novos casos de câncer de cólon e reto em 2022 foram de 21.970 em homens, o que representa 9,2% do total de todos os tipos da doença, ao passo que em mulheres, o número dos diagnósticos foi de 23.660 no mesmo período, 9,7% do total. Tanto em homens, quanto em mulheres, foi o segundo tipo de câncer com maior número de incidentes, somente atrás do câncer de próstata (71.730, ou 30%) e do câncer de mama feminina (73.610, o equivalente a 30,1%).

      Para o Dr. José Afonso Sallet, cirurgião e diretor-médico do Instituto de Medicina Sallet, a obesidade é uma doença crônica que causa alterações no microbioma intestinal, o que pode aumentar a inflamação e alterar o funcionamento normal do intestino. Ele explica que esse processo inflamatório crônico leva a um aumento da produção de compostos tóxicos que podem danificar as células do intestino e criam um ambiente favorável para o crescimento de células cancerígenas.

      O aumento dos níveis de obesidade e no número de novos casos de câncer colorretal

      Segundo dados da OMS, em 2025, a projeção é de que 2,3 bilhões de adultos ao redor do mundo estejam acima do peso, sendo 700 milhões de indivíduos com obesidade, ou seja, com um IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 30. No Brasil, um estudo publicado pela World Obesity Federation em 2022, prevê que 29,7% dos adultos brasileiros serão obesos em 2030, o que corresponde a cerca de 47 milhões de pessoas.

      O risco de câncer colorretal aumenta com níveis mais severos de obesidade. Indivíduos com obesidade severa, definida como um IMC de 40 ou superior, correm um risco ainda maior de desenvolver câncer de intestino. “Pesquisas sugerem que a obesidade abdominal, onde o excesso de gordura é armazenado nos órgãos do aparelho digestivo, pode estar mais fortemente associada a um risco maior de câncer colorretal do que outros tipos de obesidade”, destaca o Dr. Sallet. 

      Os dados mais recentes de óbitos do INCA são de 2020, no qual o câncer de cólon e reto foi a terceira causa de câncer em homens e mulheres. Dos 20.245 de mortes, 9.889 foram do sexo masculino, 8,4% do total de todos os tipos de câncer, atrás do cânceres no pulmão (16.009, ou 13,6%) e próstata (15.841, ou 13,5%). Em mulheres, foram 10.356, 9,6% no número total, não superando o câncer de mama (17,825, ou 16,5%) e pulmão (12.609, ou 11,6%).

      Os sintomas do câncer colorretal e a importância do diagnóstico precoce

      De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas mais frequentemente associados ao câncer do intestino são: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados), dor ou desconforto abdominal, fraqueza, anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes (muito finas e compridas) e massa (tumoração) abdominal.

      Esses sinais e sintomas também estão presentes em problemas como hemorroidas, verminose, úlcera gástrica e outros, e devem ser investigados para seu diagnóstico correto e tratamento específico. Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em alguns dias.

      Diagnosticar o câncer colorretal em seus estágios iniciais aumenta a probabilidade de sucesso do tratamento e reduz o risco de complicações, comenta o Dr. Sallet. Vários testes de triagem estão disponíveis para detectar a doença, incluindo exames de sangue oculto nas fezes, colonoscopia, testes de DNA e marcadores tumorais. Vale ressaltar que o câncer colorretal precoce é geralmente assintomático. Portanto, pacientes de grupo de risco como história familiar positiva, obesidade, idade de 50 anos ou mais devem submeter-se a consulta com um médico especialista. 

      Uma vida saudável é o caminho para a prevenção das doenças 

      De acordo com o Ministério da Saúde, a manutenção do peso corporal adequado, a prática de atividade física, assim como a alimentação saudável são fundamentais para a prevenção do câncer de intestino. Uma dieta equilibrada é composta, principalmente, por alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, carnes magras, leguminosas, grãos e sementes. O órgão disponibilizou gratuitamente o Guia Alimentar para a População Brasileira de 2014, em seu  site oficial.

      A detecção precoce do câncer colorretal salva vidas e melhora muito as chances de um resultado bem-sucedido. O cirurgião ressalta que a prevenção da doença começa com a adoção de estilos de vida saudáveis, evitando ao máximo o consumo de alimentos processados e ricos em gorduras saturadas. Além disso, é recomendável praticar atividades físicas regularmente, não fumar, evitar o consumo de álcool e fazer acompanhamento médico frequente.

      “Reconhecer os sintomas do câncer colorretal e realizar exames de rastreamento adequados pode aumentar significativamente as chances de detectar a doença em seus estágios iniciais e sucesso no tratamento”, conclui o Dr. Sallet.

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