Suspeitas de formação de cartel na licitação do transporte de Campinas mancham lisura do processo

As suspeitas de formação de cartel e combinação de preços durante a licitação do transporte coletivo urbano de Campinas pode respingar no alto escalão da prefeitura.

O cartel é proibido por lei. Em um processo licitatório, as empresas participantes não podem combinar preços entre si. A concorrência tem que ser totalmente livre.

A sessão da B3 foi totalmente gravada, e inclusive foi transmitida ao vivo pelo Instagram do ODC. A forma como os lances foram dados chamou bastante a atenção dos presentes.

Curiosamente também foram os vencedores: justamente os concorrentes nos dois lotes, inclusive “ajudando” a prefeitura a não formar um monopólio, mesmo sendo permitido pelo edital do certame.

Ao final do leilão, as duas únicasm participantes dos dois lotes foram quem venceram, sendo uma em cada lote, e com valores de tarifa técnica bem próximos.

No Lote Norte, o que mais chamou a atenção foi justamente os valores bastante incomuns para um leilão, com deságios a cada R$ 0,08, forçando uma vitória “na marra”.

Além disso, a vencedora do Lote Sul deu apenas um lance no Lote Norte, deixando o caminho completamente livre para o consórcio vencedor garantir a vitória.

O Ministério Público está fazendo uma investigação bastante minuciosa sobre o processo, o que pode desagradar a prefeitura, que tem bastante interesse na entrada das novas empresas.

Apesar de todos os desmandos ao longo de quase uma década, a prefeitura acredita que apenas tirar uma empresa antiga e colocar uma nova vai resolver os problemas do transporte campineiro, e não vai.

Qualquer passo dado agora no processo licitatório já levanta alguma suspeita de irregularidade, ainda mais na fase de investigações, tanto pelo Ministério Público quanto pelo Tribunal de Contas.

Da Redação ODC.
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